terça-feira, 22 de julho de 2014

Elisa Quadros, a ‘Sininho’ revolucionária

Elisa Quadros, a ativista 'Sininho'. / AGÊNCIA BRASIL
Elisa Quadros Sanzi, a polêmica ativista conhecida como Sininho (em alusão à personagem de Peter Pan), nasceu há 28 anos em Porto Alegre, numa família remediada – pai bancário e mãe psicóloga. Recebeu uma boa formação em escolas privadas e sempre viveu em bairros de classe média e alta. Desde a adolescência, aprofundou sua militância no movimento estudantil, até assumir, no ano passado, uma espécie de liderança dos coletivos de protesto que não dão trégua nas ruas do Rio de Janeiro desde junho de 2013. Sininho estudou Cinema na universidade carioca Estácio do Sá e posteriormente trabalhou em algumas produtoras da cidade. Desde 2012 mora em um apartamento familiar no bairro de Copacabana e se aproximou das organizações Frente Independente Popular e Organização Anarquista Terra e Liberdade, dois dos mais aguerridos entre os grupos mobilizados nos últimos meses. Desde os protestos de junho, a ativista se tornou um rosto habitual nas mobilizações e assembleias populares, onde adquiriu certa visibilidade e liderança. Nas manifestações, nunca vai encapuzada, embora tampouco se desvincule claramente dos denominados Black Blocs, conhecidos por protagonizarem confrontos violentos com a polícia e atos de vandalismo contra estabelecimentos comerciais e o mobiliário urbano. MAIS INFORMAÇÕES “Meu filho não é um black bloc nem líder de nada, só um idealista” Uma ativista do Rio pede asilo político ao vizinho Uruguai A ordem de prisão de 23 ativistas no Rio desata uma polêmica O PT condena a prisão de ativistas no Rio Hoje, Sininho está sob prisão preventiva na penitenciária carioca de Bangu, onde aguarda julgamento pelo crime de formação de quadrilha, junto com outros quatro correligionários. Seu advogado, Marino D’Icarahy, a define como uma moça “extremamente preocupada com o próximo e hiperativa”. “É provável que por esse motivo todos os holofotes apontem para ela. Não é líder de nada. Se há uma característica da Elisa é que ela não pretende liderar nada. Estão tentando inventar uma organização onde não há nada”, denuncia o advogado. Os pais de Sininho, Antônio Sanzi e Rosoleta Moreira Pinto Stadtlander, são militantes históricos do Partido dos Trabalhadores (PT), e hoje ambos se sentem apunhalados pela sigla que defenderam nas últimas décadas. Segundo eles, os líderes do partido, a começar pela própria presidenta Dilma Rousseff, são corresponsáveis pela perseguição imposta aos 23 ativistas que foram alvo de um mandado de prisão preventiva no Estado de Rio do Janeiro. Em seu mural do Facebook, observa-se como Sininho foi objeto de questionamentos internos dentro dos grupos mobilizados nas ruas, que são organizações difíceis de definir. Em 17 de janeiro, a ativista escreveu: “2013 = união, descobrimento, aprendizagem, amizade; 2014 começou assim = desconfiança, acusações, julgamento, amizades rompidas e muuuito mais, muuuita palhaçada... Vamos parar com isso?”. A verborragia frequentemente desatada da ativista revela uma mulher temperamental e com certa tendência à radicalização. “É uma lutadora social”, afirma seu advogado. Em uma série de gravações telefônicas feitas pela Polícia Civil e divulgadas pelo O Globo, Sininho admite a seu padrasto que não poderia se refugiar no Estado de Minas, já que lá também poderia ser detida sob a acusação de formação de quadrilha. Segundo a investigação policial, a ativista é a principal articuladora das ações violentas protagonizadas por grupos radicais cuja radiografia até agora ninguém soube decifrar.

O Uruguai nega asilo para uma ativista refugiada no consulado

Eloisa Samy Santiago em uma imagem do Facebook.
O consulado do Uruguai no Rio de Janeiro negou na noite desta segunda-feira o pedido de asilo político feito pela advogada Eloísa Samy Santiago, uma das 23 pessoas acusadas de formação de quadrilha sob mandado de prisão preventiva, segundo seu advogado, Rodrigo Mondego. Com Samy, considerada agora foragida da Justiça, também estavam, no escritório consular uruguaio do Rio, os ativistas David Paixão e Camila Nascimento, ambos de 18 anos. A advogada esquentou a polêmica sobre as prisões preventivas ao refugiar-se no consulado do país vizinho e solicitar asilo político. Segundo o advogado da ativista, Samy se considera uma "perseguida política no Estado do Rio de Janeiro" e bateu à porta do Uruguai "porque tem medo e porque esse país é vizinho, tem uma tradição democrática e libertária, com um presidente que foi preso político durante mais de uma década". MAIS INFORMAÇÕES O PT condena a prisão de ativistas no Rio A ordem de prisão de 23 ativistas no Rio desata uma polêmica Elisa Quadros, a ‘Sininho’ revolucionária “Meu filho não é um black bloc nem líder de nada, só um idealista” A Polícia Civil do Rio interceptou uma chamada telefônica entre os dois jovens, Paixão e Nascimento, na qual comentavam descontraidamente um ataque a um policial militar com um coquetel molotov durante uma manifestação. Apesar de seus nomes não constarem na lista dos 23, ambos temem que esta seja ampliada pela justiça do Rio nos próximos dias. Na porta do prédio, agentes da Delegacia de Repressão de Crimes Informáticos (DRCI) da Polícia Civil montaram guarda para prender Samy caso o Uruguai recusasse o pedido, mas deixaram o local por volta das 17h. Ao lado de policiais à paisana, dezenas de ativistas se solidarizam com a advogada em plena rua com cartazes nos que se leem mensagens como "Viva Mujica, viva os tupamaros". Segundo Mondego, Samy foge de uma perseguição que se circunscreve "ao Estado do Rio de Janeiro e não tem nada a ver com o Estado brasileiro. Por isso é um assunto difícil de analisar do ponto de vista do direito internacional". Segundo as investigações da Polícia Civil, apoiadas pela Promotoria, Samy seria uma das organizadoras de alguns atos violentos no Rio. Segundo a denúncia, a advogada assessorava legalmente encapuzados radicais, participava ativamente dos atos de protesto, prestava apoio logístico e inclusive realizou reuniões de grupos radicais em seu apartamento. Segundo os advogados que prestam assistência aos 23, uma nova petição de habeas corpus está sendo tramitada para que todos eles possam responder em liberdade à acusação de formação de quadrilha. Cinco, dentre eles Elisa Quadros, Sininho, apontada pela polícia como a principal líder do grupo, já estão detidos no presídio de Bangu. Outros 17 ativistas continuam foragidos da Justiça

As pesquisas continuam maltratando Dilma Rousseff


A presidenta brasileira nesta sexta-feira. / FERNANDO BIZERRAJR. (EFE)
A presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), que há um ano e meio contava com a hipótese de repetir seu mandato sem muita oposição, se depara com pesquisas cada vez mais sombrias. A última delas, do Datafolha, publicada na quinta-feira pela Folha de S.Paulo, mostra que a dirigente brasileira ganharia no primeiro turno (algo que nenhuma pesquisa contesta), mas empataria num eventual segundo turno disputado contra o candidato conservador Aécio Neves, do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB). É a primeira vez que isso acontece, colocando em risco a continuidade de Rousseff à frente do Brasil, quando faltam menos de três meses para as eleições. Segundo o jornal, se as eleições fossem hoje e se houvesse necessidade de um segundo turno, Rousseff obteria 44% dos votos, contra 40% de Neves. Os realizadores do estudo observam que essa diferença mínima fica dentro da chamada margem de erro, o que leva a um empate técnico. No entanto, se o segundo turno fosse disputado entre Rousseff e o atual terceiro colocado na disputa, Eduardo Campos, do Partido Socialista do Brasil (PSB), situado mais à esquerda de Neves, a presidenta seria reeleita. Assim, as eleições de outubro se apresentam como uma interessante partida com três participantes e com muitas reviravoltas possíveis. Sucessivas pesquisas mostram um desgaste progressivo de Rousseff, que experimentou uma brutal queda em julho do ano passado, logo após os gigantescos protestos de São Paulo e Rio, que agitaram o país por inteiro. Desde então, a tendência sempre foi de baixa, com uma pequena exceção. Em fevereiro deste ano, Rousseff alcançava 44% dos votos no primeiro turno. Agora tem apenas 36%. Só numa das pesquisas, elaborada às vésperas do começo da Copa, ela subiu a 38%. Comentando esse fato, os diretores do Datafolha, afirmam que a popularidade de Dilma subiu e desceu como uma gangorra no decorrer do torneio, dependendo dos resultados esportivos. Ao final, o desastre da goleada diante da Alemanha ficou compensado, em termos de aceitação, pelo fato de a organização em termos operacionais ter sido considerada um sucesso, algo de que o Governo se vangloriou muito. O levantamento também revela que os candidatos da oposição, tanto Neves como Campos, passaram em branco pela Copa do Mundo, sem experimentar nem altas nem baixas, como se todo o protagonismo, para o bem ou para mal, fosse monopolizado por Rousseff. Os indecisos por enquanto alcançam 14%, e os votos em branco são 13%. Ambas as categorias têm crescido nos últimos meses. O levantamento aponta ainda que um terço dos eleitores das grandes cidades brasileiras, como Rio e São Paulo, ainda não escolheu seu candidato presidencial. Ou seja, a eleição, muito possivelmente, será resolvida nessas cidades. Assim, o transporte público (detonante dos protestos do ano passado) e a segurança serão questões cruciais e decisivas.

Mais de 500 palestinos já foram mortos na ofensiva israelense na Faixa de Gaza

A ONU os EUA pedem um cessar-fogo imediato em Gaza. / ATLAS
Yunis Baker não para de vigiar o céu quando sai de casa. O menino, de sete anos, procura os drones armados que voam sem pausa sobre Gaza, teleguiados de algum ponto de Israel. O Exército não esclarece se foi um desses aparelhos que matou, na quarta-feira passada, quatro de seus primos, entre 9 e 11 anos, enquanto brincavam em uma praia de Gaza com ele e com seu irmão Hamad, de 13. Os meninos fugiam de uma primeira explosão em um cais quando, a uns 200 metros, foram atingidos em cheio por outro projétil frente aos olhos atônitos de um grupo de jornalistas. Seu pai, Jamis, apontava nesta segunda-feira para Hamad, que estava no pátio da frente de sua casa: “Tinha fragmentos no peito e está se curando, mas Yunis tem algo pior.” Mal fala, não sorri, não dorme. Os pais o encontram encolhido debaixo da cama todas as manhãs. O pescador, de 52 anos, reprimia o choro ao explicar que seu filho pequeno “parece 90% outra pessoa”. Se ninguém ajudá-los, acha, estão a “ponto de perdê-lo totalmente”. MAIS INFORMAÇÕES “Era preciso fugir. A ofensiva terrestre tornou a vida insuportável” Gaza tem o dia mais mortífero desde o começo da ofensiva israelense O ataque israelense a Gaza abala a unidade palestina A guerra agrava a escassez de água As mortes em Gaza aumentaram rapidamente desde que Israel começou sua invasão terrestre, na última quinta-feira. Os mortos palestinos superavam os 500 nesta segunda-feira. Segundo cálculos do Centro Palestino de Direitos Humanos (PCHR), mais de 75% são civis e, entre eles, mais de uma centena são crianças. Entre os objetivos atingidos pelos israelenses nesta segunda-feira, destaca-se o hospital Al Aqsa. Quatro pessoas morreram neste segundo ataque contra um centro de saúde. Ele estava cheio de pacientes, inclusive 135 crianças. O ataque aconteceu porque "havia um depósito de projéteis antitanque armazenados perto do hospital", segundo uma nota do Exército citada pela Efe. Israel denunciou nesta segunda que as milícias tinham disparado foguetes a partir do hospital Wafa, atingido alguns dias depois de ter sido evacuado. O Exército confirmou que sofreu 25 baixas. É uma cifra considerável para as Forças Armadas de Israel, acostumadas a avançar com grande cautela e protegidas por sua superioridade militar. Os palestinos não têm exército, aviação nem veículos blindados. Quatro dos soldados caíram nesta segunda-feira no assalto pela retaguarda de um grupo de milicianos do Hamas usando uniformes israelenses. As crianças Yunis e Hamad Baker são sobreviventes, mas os constantes bombardeios e ataques israelenses por terra, mar e ar estão ceifando taxas horripilantes de vidas infantis. De cada cinco palestinos mortos, um é criança. Esta é a proporção desde que Israel começou esta operação militar há duas semanas. Ao redor de 43% dos habitantes da Faixa tem menos de 14 anos. A área está tão densamente povoada quanto uma grande cidade. Na noite desta segunda-feira chegavam notícias de um bombardeio que tinha matado 13 pessoas no centro de Gaza. Entre elas havia pelo menos cinco crianças. Mais de 500 palestinos mortos na ofensiva israelense em Gaza O funcionamento do necrotério do hospital de Al Shifa se beneficia do costume muçulmano de enterrar os mortos antes de 24 horas. Os cadáveres entram em sacos brancos manchados de vermelho. A porta fica apinhada de uma multidão de homens que esperam para reconhecer seus mortos e levá-los ao cemitério. Nas horas seguintes aos bombardeios mais duros, é preciso tomar cuidado para não escorregar nos charcos de sangue entre os encontrões de dezenas de homens. Um funcionário do hospital vai abrindo o zíper dos sacos enfileirados pelo chão, o suficiente para mostrar o rosto. Entrar exige esforço, mas o grupo se afasta para que saiam os que acabam de ver um familiar em uma das bolsas. No caos desta segunda, às quatro da tarde, um empregado tampava o nariz para abrir o armário de alumínio onde guardam os restos das crianças por identificar. Mahmud Yazgui, de 20 anos, acabava de ver sair os cadáveres de seus sobrinhos Hatem e Yasmin, de 2 e 4 anos. Morreram pelo projétil de tanque que destruiu o quarto de seus avôs. Seus pais tinham mandado que fossem dormir ali porque acharam que era um lugar seguro. Os idosos também morreram. Horas antes, também no centro de Gaza, quatro crianças da família Hallaq tinham morrido em um bombardeio aéreo que destroçou três andares no edifício Córdoba do bairro de Rimal. Alguns vizinhos limpavam o sangue da escada, enquanto procuravam os restos de uma das crianças entre o entulho. Na devastação das casas era possível ver cadernos escolares com desenhos do Bob Esponja. Este acúmulo de vítimas infantis levou Washington a pedir que Israel “tome maiores precauções” para proteger os civis. Não só as crianças, também os idosos, as mulheres e as centenas de homens que, como comprovam cuidadosamente os funcionários do Centro Palestino para os Direitos Humanos, morrem sem ter tido nenhuma relação com as milícias islâmicas. Enviar vídeo Imagens divulgadas pelo Exército israelense das supostas milícias infiltradas no sul de Israel. / REUTERS LIVE! Greves na Cisjordânia FRANCE PRESSE A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) junto a sindicatos e outros grupos convocaram no domingo uma greve geral na Cisjordânia. O objetivo era protestar contra a ofensiva israelense na faixa de Gaza batizada, em 8 de março, de Limite Protetor e que já causou mais de 500 mortos palestinos e 20 israelenses. O Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, conclamou os cidadãos a manifestarem-se nesta segunda-feira a partir das 21 horas locais (15 horas de Brasília). Por volta de 4.000 pessoas manifestaram-se neste domingo em Ramallah. E, em Nablus, norte da Cisjordânia, também ocorreram protestos.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

ONU pede imediata cessação de hostilidades na Faixa de Gaza


O conselho de Segurança da ONU pediu neste domingo "a imediata cessação de hostilidades" na Faixa de Gaza e expressou sua "séria preocupação" com a escalada da violência na região. Assim disse o presidente rotativo do Conselho de Segurança, o ruandês Eugene Gasana, em uma declaração que leu aos jornalistas após uma reunião de duas horas para analisar a situação nessa região do Oriente Médio. Gasada disse que a declaração que leu para os jornalistas tinha sido escrita pelos representantes do Conselho depois das consultas realizadas em reunião a portas fechadas na sede da ONU. Além disso, esse órgão da ONU faz um apelo para "o respeito das leis humanitárias internacionais, incluindo a proteção dos civis", insistindo na necessidade de conseguir tréguas entre as duas partes por razões humanitárias. Também expressam sua "séria preocupação" com o crescente número de vítimas e diz que o pedido para um cessar-fogo deve se basear nos convênios assinados em novembro de 2012 que permitiram a cessação de hostilidades em Gaza. Nesse sentido, o Conselho de Segurança, segundo a declaração que leu Gasana, agradece os esforços do Egito para que o movimento palestino Hamas e Israel alcancem um cessar-fogo, trabalho na qual está sendo apoiado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. SAIBA MAIS John Kerry viaja ao Cairo para apoiar cessar-fogo em Gaza Netanyahu lamenta mortes, mas diz que ofensiva continuará Faixa de Gaza: dia mais sangrento tem pelo menos cem mortos Hamas diz que sequestrou um soldado israelense Ban está de viagem pelo Oriente Médio a fim de impulsionar com líderes regionais um cessar-fogo, depois que neste domingo se viveu em Gaza o dia mais violento dos últimos dias, com mais de 60 palestinos e 13 soldados israelenses mortos. Ban, que esteve no Catar este domingo, voltou a condenar a violência da ofensiva israelense contra Gaza, e fez apelos para um cessar-fogo. Na capital do Catar, Doha, Ban se reuniu com líderes palestinos e com autoridades catarianas. Depois desta etapa foi para o Kuwait para depois continuar com sua viagem ao Cairo, Jerusalém, Ramala e Amã.

Gaza tem o dia mais mortífero desde o começo da ofensiva israelense

 Milhares de pessoas abandonam o bairro de Shiyahiya, no leste da Faixa de Gaza, alvo de intensos e repetidos bombardeios do Exército israelense por terra e ar. Na imagem, uma família foge de Gaza em uma escavadeira, em 20 de julho de 2014.
 Os 1,8 milhão de moradores de Gaza não têm onde se refugiar, já que as únicas pessoas seguras até o momento são as escolas-albergue da ONU, que ontem à noite já superavam suas previsões, com mais de 50.000 deslocados internos.
 Um grupo de palestinos sobe em um caminhão tentando fugir de Gaza, em 20 de julho de 2014.
 Dezenas de pessoas perderam suas vidas em repetidos ataques israelenses sobre casas deste populoso bairro, alvo ainda de fortes bombardeios a esta hora do dia. Na imagem, vizinhos do bairro de Shiyahiya abandonam suas casas, em 20 de julho de 2014.
 Uma família abandona o bairro de Shiyahiya em Gaza, em 20 de julho de 2014.
 Uma família foge andando do bairro de Shiyahiya em Gaza, em 20 de julho de 2014.
 Uma idosa segura um lençol branco enquanto é ajudada a sair do bairro de Shiyahiya, em 20 de julho de 2014.
 Uma mulher chora enquanto sai junto a sua família do bairro de Shiyahiya em Gaza, em 20 de julho de 2014.
Palestinos saem do bairro de Shiyahiya montados em um carro, em 20 de julho de 2014.
Gaza vive neste domingo o dia mais mortífero desde o início da incursão terrestre de Israel em território palestino na última quinta-feira. Entre sábado e domingo, 13 soldados israelenses morreram nos combates contra as milícias do Hamas, o que sobre para um total de 18 mortes, segundo confirmou o Governo israelense. Todos os mortos pertenciam à Brigada Golani. É o maior número de mortos israelenses em combate desde o conflito com o Líbano, em 2006. Do lado palestino, foram 90 baixas em apenas um só dia, 430 desde o início dos combates. O incidente mais grave ocorreu na tarde do sábado, quando morreram sete militares israelenses. Um carro blindado das tropas foi atacado com uma granada na Cidade de Gaza. Posteriormente foi atacado em um segundo local, de acordo com informações de médios israelenses que citam fontes militares. Estas baixas são o resultado da entrada no território de Gaza de um importante contingente militar na noite do sábado até domingo em uma nova fase da operação Limite Protetor, que busca destruir a infraestrutura do Hamas em Gaza. Israel informou através do Twitter que aceitava um cessar-fogo humanitário de duas horas em Shiyahiya. O Governo do Israel e o Hamas haviam concordado neste domingo com uma trégua humanitária de duas horas (das 13h30 às 15h30 pela hora local, seis horas a menos em Brasília) no bairro de Shiyahiya, na Cidade de Gaza, duramente golpeado pelos bombardeios israelenses na região. O objetivo do cessar-fogo era permitir a retirada dos feridos em decorrência dos últimos ataques. Assim que o Exército israelense confirmou que aceitava, muitas ambulâncias e outros veículos de emergência começaram a chegar ao bairro para recolher os cadáveres e feridos das horas anteriores. Entretanto, poucos minutos depois do início da trégua, as explosões prosseguiam, detendo a caravana de ambulâncias e provocando o caos. Em Shiyahiya continuaram as explosões, que perduraram enquanto algumas ambulâncias recolhiam cadáveres e feridos das ruas, também se viam milicianos armados. O Exército do Israel acusa o Hamas de ter violado a trégua e anunciou que está respondendo à altura. O comunicado israelense que anunciava a aceitação da trégua advertia que “qualquer tentativa de violar esta ‘janela’ não seria tolerada”. O cessar-fogo havia sido solicitado pelo Hamas sob a mediação da Cruz Vermelha, a fim de permitir que as equipes de emergência retirassem os feridos e vítimas mortais dos bombardeios israelenses da madrugada em Shijahia, onde vivem cerca de 40.000 pessoas. Segundo o vice-ministro de Saúde palestino, Yussef Abu Rish, já são mais de 400 os mortos em Gaza desde que Israel começou sua operação militar na madrugada do último 8 de julho. Um de cada cinco mortos palestinos era criança. "410 pessoas foram assassinadas desde que começou a guerra e há mais de 3.020 feridos, a maioria civis", afirmou. Um dos mortos é um operador de câmera palestino que trabalhava como freelance, Jaled Hamad, que morreu neste domingo, junto ao motorista de uma ambulância, em um bombardeio do Exército israelense contra o bairro de Shiyahiya, informa a EFE. É o primeiro jornalista que morre desde que o Governo israelense iniciou a ofensiva. No início do conflito, um projétil israelense já havia atingido um veículo que estava claramente identificado como imprensa, causando a morte do motorista e ferindo oito pessoas. Para entrar em Shijahia pelo oeste na manhã deste domingo, era preciso cruzar com milhares de palestinos que fugiam para o centro da cidade, em meio ao ruído das bombas que estavam destruindo suas casas no leste. A desolação crescia a cada quarteirão residencial, até que, um quilômetro bairro adentro, disparos de armas leves eram ouvidos por volta de 10h (4h em Brasília). Os soldados israelenses encontravam alguma resistência armada apesar da esmagadora superioridade do seu maquinário bélico. Famílias inteiras fugiam pelas ruas. Como eles, muitos milhares de palestinos fugiram na manhã deste domingo dos bairros da zona leste da Faixa da Gaza, depois de uma das noites mais duras desde que Israel começou a operação militar. Israel continuou aprofundando sua invasão durante a noite do sábado, quando submeteu a periferia oriental de Gaza a um intenso fogo aéreo e de artilharia. As imediações do hospital de Wafa, junto à fronteira com Israel, eram nesse momento uma fogueira permanente alimentada pelos tanques e os mísseis terra-terra que iluminavam o bairro com o rastro dos seus disparos antes do impacto contra os edifícios. De outros bairros, via-se uma verdadeira chuva de fogo, com projéteis caindo a cada poucos segundos em uma área densamente povoada. As Forças Armadas israelenses continuaram empregando sua esmagadora superioridade bélica sobre as tropas palestinas. O número de mortos palestinos superou os 350 durante a noite, com mais de 3.500 feridos. Um em cada cinco mortos palestinos era criança. No lado israelense morreram cinco pessoas, dois civis e três soldados, sendo pelo menos um deles por “fogo amigo”. Pela manhã, chegavam notícias de que os bombardeios haviam impedido o desenrolar das tarefas de emergência. O gabinete de imprensa do Governo de Israel enviou na noite do sábado uma carta aos jornalistas internacionais advertindo-lhes de que as tropas do Hamas “usaram no passado jornalistas como escudos humanos”. Após se eximirem de “qualquer ferimento ou dano que possam sofrer” ao cumprir sua tarefa de informar sobre os avanços das tropas, Israel oferece aos repórteres uma “saída rápida” da Faixa através do posto fronteiriço de Erez. Israel justifica o enorme número de mortos civis em seus ataques – 77% das baixas palestinas – alegando que o Hamas e o restante dos milicianos palestinos usam a população como “escudos humanos”. Nenhum dos 11 jornalistas de quatro nacionalidades ouvidos pelo EL PAÍS, entre eles diversos veteranos de conflitos anteriores entre Israel e os palestinos, se recordava de qualquer situação em que eles ou seus companheiros tivessem sido usados como escudos humanos pelas tropas do Hamas ou outros grupos palestinos. Muitos repórteres em Gaza interpretam a carta como uma ameaça mal disfarçada contra a liberdade de informação. Não há um só repórter israelense cobrindo os ataques do lado palestino. Dos bairros do leste de Gaza chegavam na manhã deste domingo notícias de que muitos civis se concentravam nas imediações do hospital Al Shifa. Testemunhas diretas contam que os cadáveres se amontoam nas calçadas diante dos tanques de Israel.

domingo, 20 de julho de 2014

Apollo 11 20 de Julho de 1969 Homem pisa no solo lunar pela 1ª Vez.











20 de Julho de 1969 Homem pisa no solo lunar pela 1ª Vez Apollo 11 Apollo 11 foi a quinta missão tripulada do Programa Apollo e a primeira a realizar uma alunagem, no dia 20 de julho de 1969. Tripulada pelos astronautas Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin e Michael Collins, a missão cumpriu a meta proposta pelo Presidente John F. Kennedy em 25 de maio de 1961, quando, perante o Congresso dos Estados Unidos, afirmou que: "Eu acredito que esta nação deve comprometer-se em alcançar a meta, antes do final desta década, de pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra em segurança" — Pres. Kennedy, 25 de maio de 1961. Composta pelo módulo de comando Columbia, o módulo lunar Eagle e o módulo de serviço, a Apollo 11, com seus três tripulantes a bordo, foi lançada de Cabo Canaveral, na Flórida, às 13:32 UTC de 16 de julho, na ponta de um foguete Saturno V, sob o olhar de centenas de milhares de espectadores que enchiam estradas, praias e campos em redor do Centro Espacial Kennedy e de milhões de espectadores pela televisão em todo o mundo, para a histórica missão de oito dias de duração, que culminou com as duas horas e quarenta e cinco minutos de caminhada de Armstrong e Aldrin na Lua. A tripulação era composta por três astronautas: • Neil Armstrong Comandante • Dr. Edwin Aldrin Piloto do módulo lunar • Michael Collins Piloto do módulo de comando A tripulação reserva era composta pelos três astronautas: • James A. Lovell Comandante • Fred W. Haise Jr. Piloto do módulo lunar • William A. Anders Piloto do módulo de comando 4 Missão A Águia Pousou Neil Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins, os tripulantes da nave Columbia e integrantes da missão Apollo 11, tiveram um lançamento perfeito daTerra, uma jornada longa e calma para a Lua e uma rotineira ignição dos motores para colocá-los em órbita lunar. O seu destino era um local chamado Mar da Tranquilidade, uma grande área plana, formada de lava basáltica solidificada, na linha equatorial da face brilhante do satélite.Após a separação dos módulos da Apollo, enquanto Michael Collins ficava no Módulo de Comando Columbia numa órbita cem quilómetros acima do satélite, Armstrong e Aldrin começaram a sua descida ao Mar da Tranquilidade a bordo do Módulo Lunar Eagle. Não havia assentos no ML. Armstrong e Aldrin voavam em pé, firmes nos lugares por cordas elásticas presas no chão. Durante o mergulho, eles olharam pelas janelas e cronometraram a passagem dos marcos das paisagens abaixo deles, através de uma escala marcada na janela de Armstrong, para confirmar o rastreamento de dados que o controle da missão no Centro Espacial de Houston estava a receber. Com a ajuda de Houston, também verificaram o estado do Módulo. Se, como dizia Eugene Cernan - um ex-piloto da marinha americana que se tornou astronauta e comandou a última das missões a pousar na Lua, a Apollo 17 - pousar o Módulo Lunar era mais fácil que pousar um jato num porta-aviões durante a noite, uma das muitas vantagens era o fato de o Eagle estar equipado com o que era, na época, um sofisticado computador de bordo, que fez a maior parte do trabalho de rotina do voo de descida da nave. Exceto nos momentos finais da aproximação do solo, voar na trajetória correta era apenas uma questão de analisar os dados de navegação dos sistemas de radar e de inércia e então ir delicadamente ajustando o impulso e a ação dos motores do Módulo Lunar. Era uma tarefa de trabalho intensivo e bem ajustado ao controle do computador.Várias vezes durante a descida, porém, o computador soou alarmes. A trajetória da nave parecia boa, mas a mensagem de alerta “1202”trouxe alguns segundos tensos à tripulação até que o Houston avisasse que, ao que parecia, partes da memória do computador estavam a ser sobrecarregadas com estranhos dados do radar de aproximação. Felizmente, não só o computador tinha sido programado de modo que continuasse a conduzir tarefas de alta prioridade, como também a pessoa que melhor o computador conhecia — o homem que o criou, o engenheiro de sistemas Steve Bales — precisou de apenas alguns segundos para diagnosticar o problema e recomendar que o pouso continuasse. Mais tarde, Bales ficaria de pé ao lado da tripulação numa cerimônia na Casa Branca e foi condecorado pela sua especial contribuição para o sucesso da missão. Os alarmes contínuos e as quebras nas comunicações entre o Eagle e Houston eram irritantes, mas em todos os outros aspectos o computador do ML e o sistema de navegação tiveram um desempenho brilhante. Oito minutos e trinta segundos após aignição do motor de descida, o computador colocou o Módulo quase ereto e Armstrong teve sua primeira visão em close-up do lugar para onde estava sendo levado pelo computador. Ele estava a cerca de 1 600 m acima e 6 000 m a leste da área de pouso. Como planejado, tinha combustível para mais 5 minutos de voo. Cada astronauta tinha uma janela pequena, triangular e de vidraça dupla à sua frente. "Buzz" Aldrin ao lado do Módulo Lunar - Apollo 11. Em princípio, se Armstrong não gostasse do ponto escolhido pelo computador, poderia movimentar o “joy-stick” manual de controle para frente, para trás ou para qualquer lado, além de orientar o computador para mover um pouco o alvo na direção indicada. De acordo com o plano, Aldrin dava a Armstrong o ângulode descida de poucos em poucos segundos, porém a arte de direção computadorizada no tempo da Apollo 11 não era tão refinada como seria nas próximas missões e o computador estava a colocar o Eagle dentro de um campo de rochas, a nordeste de uma cratera do tamanho de um campo de futebol. Não havia problema para Armstrong em pousar num campo de rochas. Não era essencial que o ML pousasse perfeitamente ereto. Uma inclinação de mais de quinzegraus não causaria nenhum problema em particular para o lançamento de volta à órbita após a missão. No entanto, se ele batesse com o sino do motor ou uma das patas do trem de aterragem numa rocha grande, haveria uma hipótese real do Módulo Lunar sofrer um dano estrutural. Decidiu então seguir a velha máxima dos pilotos: “Em caso de dúvida, aterre longe”. Para o fazer, teria que sobrevoar a cratera e pousar a oeste. E não havia maneira – nem tempo – de dar ao computador uma atualização de informações suficiente via controle manual. Então, a uma altitude de cerca de 150 m do solo, Neil Armstrong assumiu completamente o controle manual da nave para a descida final, apontou o ML para frente, começou a voar como um helicóptero e levou o Eagle para 400 m a oeste, sobre crateras e rochas. Enquanto Armstrong conduzia o Módulo Lunar à procura de um bom ponto de aterragem, a sua atenção estava totalmente focada no trabalho que tinha em mãos. Aldrin foi quem virtualmente falou o tempo todo e também estava bastante ocupado. Lia os dados do computador para Armstrong dando-lhe a altitude, a taxa de descida e a velocidade frontal. No Houston, o Diretor do Voo Gene Kranz e outros membros da equipe de apoio na Sala de Controle da missão, estavam a vigiar a telemetria do ML. Não sabiam ainda sobre a cratera e o campo de rochas, mas era óbvio que a alunagem estava a demorar mais tempo que o planejado. Além disso, a cada segundo que passava, havia uma crescente inquietação quanto ao combustível que restava. Por causa das incertezas em ambos os calibradores nos tanques e nas estimativas que podiam ser feitas por dados de telemetria no motor funcionando, a quantidade de tempo restante até que o combustível acabasse era de cerca de 20 s. Se chegassem a um nívelmuito baixo, Kranz teria que ordenar que a aterragem fosse abortada. Um drama era a última coisa que alguém queria para o primeiro pouso na Lua. O evento em si já era monumental e excitante o bastante. Finalmente, Neil Armstrong achou um local que gostava, começou a diminuir sua velocidade frontal e deixou o Módulo Lunar descer suavemente para a superfície. Quando baixaram para 25 m, Houston avisou que eles tinham 60 s de combustível restante e na cabine 'Buzz' Aldrin viu uma luz de aviso que dizia a mesma coisa. Mas agora estavam muito próximos e era apenas uma questão de pousarem suavemente. Armstrong tinha diminuido quase toda a velocidade frontal do Eagle e quando começaram a levantar poeira com o exaustor do motor, pediu a Aldrin para confirmar se ainda se estavam a mover um pouco para frente. Queria pousar numa superfície que pudesse ver à frente, em vez do solo que não podia ver atrás. Aldrin deu a confirmação que ele queria e oito segundos depois viram a luz de contato. As sondas de dez pés decomprimento que pendiam do trem de pouso tinham tocado a Lua. Um segundo ou dois depois, estavam pousados e desligaram o motor. Só tinham mais 20 segundos de combustível, mas estavam pousados. Então Armstrong disse no rádio a frase imortal: “Houston, Tranquility Base here. The Eagle has landed”.(“Houston, aqui Base da Tranquilidade. A Águia pousou”). A mais de 300 mil quilômetros dali, o mundo, que acompanhava ao vivo as comunicações de rádio entre o Controle de Voo no Centro Espacial Johnson em Houston e a Apolo 11, entrava em comoção e aplaudia e gritava e vibrava com o feito. O Homem na Lua Câmera de TV externa do ML Eagle mostra Buzz Aldrinpisando a Lua. Em todas as direções que se olhasse, a terra era como o solo plano de uma planície. O horizonte circular era quebrado aqui e ali por suaves bordas de distantes crateras. A meia distância, Armstrong e Aldrin podiam ver pedras arredondadas e cumes, alguns deles com talvez 7 ou 60 m de altura. Bem próximo, uma mistura de crateras deformava a superfície e havia pequenas rochas e seixos espalhados por toda parte. Era um local plano e nivelado, mas pequenas variações davam às redondezas uma delicada beleza própria. E é claro, por ser este o pouso pioneiro na Lua, tudo era de enorme interesse. Entretanto, antes que Armstrong e Aldrin pudessem prestar muita atenção à vista ou pensar em sair da nave, tinham de se certificar de que tinham uma nave funcional e que o computador de navegaçãoestava carregado correctamente com as informações necessárias para levá-los de volta à órbita para o encontro com Collins. Finalmente, duas horas após o pouso, eles e os engenheiros da NASA ficaram convencidos de que o Eagle estava pronto para voltar para casa quando fosse o momento. Buzz Aldrin em solo lunar. De acordo com o plano de voo, Armstrong e Aldrin tinham instruções para terem um descanso de cinco horas antes de sair da nave. Porém, a excitação normal do momento histórico, fez com que solicitassem ao Houston permissão para se preparem para a saída, uma AEV - período de actividade extraveicular, no jargão da NASA. Normalmente a preparação para uma AEV supostamente demorava cerca de duas horas, mas como essa seria a mais curta de todas as AEV das missões Apollo, ninguém – excepto talvez a audiência mundial que esperava impaciente em frente da TV – estava preocupado quando os preparativos duraram três horas e meia. Finalmente, cerca de seis horas e meia após o pouso, abriram a escotilha do Módulo Lunar e Armstrong rastejou em direção a saída; primeiro os pés, depois as mãos e os joelhos. Instantes depois pisou o degrau mais alto da escada, em frente à bancada de trabalho da nave, onde estavam acondicionados os equipamentos científicos a serem usados na missão. A mais importante peça de equipamento era, sem dúvida, a câmara de TV preto e branco. Para os astronautas o pouso tinha sido o grande momento da missão. Mas para o mundo que aguardava ansioso, o grande momento ainda estava por vir. Neil Armstrong precisou de dar um salto de um metro do último degrau da escada até ao protector das patas do Módulo. Dali estava apenas a dois centímetrosde pisar na superfície lunar propriamente dita. Parou no suporte por um momento, testando o chão com a ponta de suas botas, antes de finalmente pisar no soloe dizer a frase épica da Era Espacial: É um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade. — Neil Armstrong Uma das marcas deixadas em solo lunar pelas botas do astronauta Buzz Aldrin na missão Apollo 11 em 20 de julho de 1969. O solo era finamente granulado e tinha uma aparência empoeirada. Assim que o pisou, a sua bota afundou talvez um par de polegadas, fazendo uma pegadaperfeitamente definida. Por causa do campo gravitacional relativamente fraco da Lua (1/6 da Terra), o peso total de Armstrong – metade astronauta, metade roupa e equipamento de sobrevivência – era de apenas 30 quilos. Movimentar-se não era particularmente cansativo, mas devido ao dramático deslocamento para cima e para trás do seu centro de gravidade, causado pela mochila de sobrevivência às costas, tinha de se inclinar para a frente para manter o equilíbrio e demorou alguns minutos até poder andar confortavelmente. Para o caso de precisar terminar a AEV repentinamente, Armstrong usou uma ferramenta de cabo comprido para juntar um pedacinho de rocha e terra dentro de um saco de Teflon. Suspendeu o saco, dobrou e guardou num bolso das calças do macacão o primeiro pedaço de solo extra-terrestre da história. 'Buzz' Aldrin juntou-se a Armstrong na superfície quinze minutos depois e durante as próximas duas horas e quarenta minutos, os astronautas examinaram o Módulo Lunar, montaram e colocaram em funcionamento a câmara de TV, hastearam e prestaram continência à bandeira americana – os dois eram oficiais daForça Aérea - instalaram instrumentos científicos, deram saltos como cangurus experimentando a baixa gravidade lunar, tiraram cerca de 100 fotografias, recolheram mais amostras no solo e falaram ao vivo com o Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, acompanhados pelos olhos e ouvidos de milhões de pessoas em todo o planeta, que assistiam a tudo pela televisão. Bandeira Foi colocada uma bandeira norte-americana, como prova da sua chegada à Lua. Os remates, as bainhas e a costura para a haste da bandeira foram cosidos por uma portuguesa de nome Maria Isilda Ribeiro. A bandeira era feita de nylon, para resistir ao ambiente lunar. Curiosidades Seções de curiosidades são desencorajadas pelas políticas da Wikipédia. Ajude a melhorar este artigo, integrando ao corpo do texto os itens relevantes e removendo os supérfluos ou impróprios. Edwin "Buzz" Aldrin dentro do Módulo Lunar na Lua. • Buzz Lightyear, da série Toy Story foi uma homenagem ao astronauta Edwin "Buzz" Aldrin. • Após o pouso lunar, "Buzz", presbiteriano, retirou de um estojo que carregava os elementos para a Ceia do Senhor e comungou. Nesse período a NASA estava a travar uma acção judicial intentada pelo ateu Madalyn O'Hair (que tinha objectado ao facto de os astronautas da Apollo 8 lerem uma passagem do livro bíblico dos Gênesis) que exigia que os astronautas refreassem as suas actividades religiosas enquanto estivessem no espaço. Assim, Aldrin evitou mencionar esse assunto. Manteve o seu plano em segredo até mesmo de sua mulher, e não o comentou publicamente por vários anos. Nesse período Aldrin era membro na Webster Presbyterian Church, uma igreja presbiteriana em Webster, Texas. O estojo usado na comunhão foi preparado pelo seu pastor, o Rev. Dean Woodruff. Aldrin descreveu a sua comunhão na Lua e o envolvimento de seu pastor na mesma na edição de outubro de 1970 da revista Guideposts e no seu livro “Return to Earth”. A Webster Presbyterian Church ainda possui o cálice utilizado por Aldrin na Lua e comemora a Santa Ceia lunar todos os anos no domingo mais próximo de 20 de julho.7 • Durante os meses que antecederam a missão, já escalado para o voo pioneiro, e sabendo que Neil Armstrong seria o comandante do voo histórico (e portanto, o primeiro na Lua), Aldrin, um homem voluntarioso, bem humorado e de personalidade intensa, tentou de todas as maneiras junto dos seus amigos, que trabalhavam na direcção do Programa Apollo e na organização da missão, arrumar um esquema de troca de lugares dentro do Módulo na hora da saída, com justificações técnicas, para que fosse ele, e não Armstrong, o primeiro homem a descer do Eagle e a pisar a Lua. • Os astronautas deixaram uma placa na Lua, onde se lê: Here Men From Planet Earth First Set Foot Upon The Moon. July 1969 A.D. We Came In Peace For All Mankind. (Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez a Lua. Julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a Humanidade). A placa foi assinada pelos três astronautas que participaram da Apolo 11 e pelo Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. • Existem muito poucas fotos de Neil Armstrong na Lua porque ele ficou quase todo o tempo com a câmara fotográfica. Assim, quase todas as fotos que mostram um astronauta sobre o solo lunar durante a missão Apollo 11 são de Edwin Aldrin.[carece de fontes] • O pouso ocorreu no 96.º aniversário de Alberto Santos Dumont, que os brasileiros tem como Pai da Aviação. • Em 2012, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, informou ter encontrado no fundo do oceano Atlântico os motores do foguetão Saturno V da missão Apollo 11.8 Em Março de 2013, Jeff Bezos anunciou ter conseguido recuperar do fundo do oceano os motores do foguetão da missão Apollo 11. Os motores estavam a 4267 metros de profundidade e ainda que a operação seja financiada por fundos privados, os motores continuam a ser propriedade da NASA . • Em 25 de Agosto de 2012, morre Neil Armostrong, com 82 anos. Em 7 de agosto, ele passou por uma cirurgia de emergência no coração, após médicos encontrarem quatro entupimentos em suas artérias, e desde então estava se recuperando no hospital em Cincinnati, onde morava com a esposa.