terça-feira, 4 de março de 2014

Obama diz que movimento da Rússia na Ucrânia não é sinal de força

WASHINGTON, 4 Mar (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira que a intervenção do presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Ucrânia não é um sinal russo de força, mas um reflexo da profunda preocupação dos vizinhos da Rússia com a interferência de Moscou. Putin negou que as forças armadas russas estivessem diretamente envolvidas na tomada da Crimeia, mas disse que ele tem o direito de enviar forças militares para proteger cidadãos russos. "O presidente Putin parece ter um conjunto diferente de advogados fazendo diferentes conjuntos de interpretações", disse Obama. Obama disse que um pacote de ajuda dos Estados Unidos tem o objetivo, em parte, de assegurar que a Ucrânia tenha eleições e de que eleições legítimas mostrem que o país pode se governar sozinho. (Reportagem de Steve Holland e Roberta Rampton)

Rússia diz que vai retaliar se EUA adotarem sanções por Ucrânia

MOSCOU, 4 Mar (Reuters) - A Rússia afirmou nesta terça-feira que vai retaliar se os Estados Unidos adotarem sanções devido às ações de Moscou na Ucrânia. "Teremos que responder", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Alexander Lukashevich, em comunicado. "Como sempre em tal situação, provocada por ações apressadas e irresponsáveis de Washington, destacamos: essa não é nossa escolha." "Explicamos frequentemente aos norte-americanos...porque sanções unilaterais não se encaixam nos padrões de relações civilizadas entre Estados", disse Lukashevich. Lukashevich não descreveu nenhuma medida que Moscou possa impor em retaliação, mas disse que a resposta russa não vai necessariamente refletir as sanções norte-americanas. O Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA está consultando a administração Obama sobre possíveis medidas, incluindo proibições de vistos e congelamento de ativos de pessoas, suspensão da cooperação militar e sanções econômicas. Em Kiev nesta terça-feira, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, condenou o "ato de agressão" da Rússia na Ucrânia e disse que Moscou, que tomou o controle da região da Crimeia, está buscando um pretexto para invadir mais o país. (Por Steve Gutterman)

sábado, 1 de março de 2014

MARCHINHAS DOS CARNAVAIS DE OUTRORA

Marchinha de Carnaval História A primeira marcha foi a composição de 1899 de Chiquinha Gonzaga, intitulada Ó Abre Alas, feita para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro. Um estilo musical importado para o Brasil, descende diretamente das marchas populares portuguesas, partilhando com elas o compasso binário das marchas militares, embora mais acelerado, melodias simples e vivas, e letras picantes, cheias de duplo sentido. Marchas portuguesas faziam grande sucesso no Brasil até 1920, destacando-se Vassourinha, em 1912, e A Baratinha, em 1917.[carece de fontes] Inicialmente calmas e bucólicas, a partir da segunda década do séc XX passaram a ter seu andamento acelerado, devido a influência da música comercial norte-americana da era jazz-bands, tendo como exemplo as marchinhas Eu vi e Zizinha, de 1926, ambas do pianista e compositor José Francisco de Freitas, o Freitinhas.3 A marchinha destinada expressamente ao carnaval brasileiro passou a ser produzida com regularidade no Rio de Janeiro, a partir de composições de 1920 como Pois não de Eduardo Souto e João da Praia4 , Ai amor de Freire Júnior e Ó pé de anjo de Sinhô3 , [carece de fontes] e atingiu o apogeu com intérpretes como Carmen Miranda, Emilinha Borba, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Jorge Veiga e Blecaute, que interpretavam, ao longo dos meados do século XX, as composições de João de Barro, o Braguinha e Alberto Ribeiro, Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo. O último grande compositor de marchinha foi João Roberto Kelly. As marchinhas de carnaval tiveram seu auge nos anos 30, 40 e 60 Depois delas, muito foi produzido, pouco aproveitado. Dos anos 60 em diante as marchinhas começaram a perder espaço para os sambas-enredo. As escolas de samba, agremiações de grandes sambistas, começavam a ditar quais eram os sucessos. Alguns compositores, como Chico Buarque, se arriscaram a escrever as suas marchinhas. Caetano Veloso também se arriscou, mas flertou com outro gênero, o frevo, que anima em Pernambuco, tal qual as marchinhas no Rio de Janeiro, a festa de carnaval. Mas ficou nisso. Nos anos 80 algumas regravações chegaram a fazer sucesso, como Balancê, de João de Barro e Alberto Ribeiro – talvez a maior dupla de compositores de marchinhas - lançada por Gal Costa em 1980 e Sassaricando, de Luís Antônio, Jota Júnior e Oldemar Magalhães, gravada por Rita Lee para a trilha sonora da novela de mesmo nome; mas era muito pouco para um País que somente em 1952 produziu cerca de 400 músicas de carnaval, a maioria delas marchinhas alegres e divertidas. Marchinhas Famosas Allah-La Ô de Haroldo Lobo e Nássara Apareceu a Margarida A Pipa do Vovô de Manoel Ferreira e Ruth Amaral As Pastorinhas As águas vão rolar Atrás do trio elétrico Aurora de Mário Lago em parceria com Roberto Roberti Avenida Iluminada de Newton Teixeira e Brasinha Bandeira branca Bota camisinha de João Roberto Kelly Cabeleira do Zezé de João Roberto Kelly e Roberto Faissal Cachaça não é água de Carmen Costa e Mirabeu Pinheiro Chiquita Bacana de Braguinha, e Alberto Ribeiro Chuva, Suor e Cerveja Cidade maravilhosa Está chegando a hora Indio quer Apito Haroldo Lobo de e Milton de Oliveira Jardineira de Benedito Lacerda e Humberto Porto (1939) Jura Linda loirinha Linda morena de Lamartine Babo Malmequer de Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar Mamãe Eu Quero de Vicente Paiva e Jararaca (1937) Marcha da cueca de Carlos Mendes, Livardo Alves e Sardinho Máscara negra (marcha-rancho) de Zé Keti e Pereira Mattos (1967) Me dá um dinheiro aí de Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira Mulata iê-iê-iê João Roberto Kelly Ó abre alas de Chiquinha Gonzaga (1899) Ô balancê O teu cabelo não nega mulata" de Lamartine Babo Pirata da Perna de Pau de Braguinha Pó-de-mico Saca rolha Sassassaricando de Luiz Antônio, Zé Mário e Oldemar Magalhães Ta-hí de Joubert de Carvalho (1930) Touradas de Madri de Braguinha Tristeza de Haroldo Lobo e Niltinho Turma do Funil de Braguinha Um pierrô apaixonado Yes, nós temos bananas.

Conselho de Segurança da ONU terá reunião sobre crise na Ucrânia neste sábado


Por Louis Charbonneau NAÇÕES UNIDAS, 1 Mar (Reuters) - O Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião sobre a crise na Ucrânia neste sábado depois que a Rússia anunciou planos para enviar forças armadas à região autônoma da Crimeia da antiga república soviética, disseram delegações do conselho. Um diplomata de Luxemburgo, que preside o conselho de 15 países neste mês, disse que a reunião seria realizada às 16h (horário de Brasília) e que estava sendo convocada a pedido da Grã-Bretanha. O conselho se reuniu na sexta-feira para discutir a crise na região ucraniana da Crimeia, mas não se tomou nenhuma ação formal, como já era esperado. A reunião ressaltou as profundas divisões entre Estados Unidos e outras nações ocidentais e a Rússia, que tem uma grande base naval na Crimeia. Na sessão de sexta-feira, a Ucrânia acusou a Rússia de incursões militares ilegais em território ucraniano, enquanto as delegações dos EUA e de países europeus alertavam Moscou a retirar quaisquer novas forças militares empregadas na Ucrânia. A Rússia, porém, disse que qualquer movimento militar por forças russas estava em consonância com seu acordo com Kiev de manter sua base naval lá. Como membro permanente do conselho, a Rússia tem poder de vetar qualquer ação proposta por seus membros.

Ucrânia coloca tropas em alerta de combate e adverte para chance de guerra


KIEV, 1 Mar (Reuters) - A Ucrânia colocou suas Forças Armadas em alerta de combate completo neste sábado e avisou a Rússia de que qualquer intervenção militar no país poderá levar a uma guerra. Após uma reunião de mais de três horas com chefes de segurança e defesa, o presidente interino do país, Oleksander Turchinov, disse que não há justificativa para o que chamou de agressão russa contra o seu país. De pé ao lado de Turchinov, o primeiro-ministro, Arseny Yatseniuk, disse que pediu à Rússia que recuasse suas tropas para a base na região da Crimeia durante uma conversa por telefone com o premiê russo, Dmitry Medvedev, e pediu negociações. "A intervenção militar seria o começo da guerra e o fim de qualquer relação entre a Ucrânia e a Rússia", disse Yatseniuk a repórteres. (Reportagem de Pavel Polityuk)

Putin está pronto para invadir Ucrânia; tropas tomam a Crimeia


Por Lidia Kelly e Pavel Polityuk MOSCOU/KIEV, 1 Mar (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, pediu e conseguiu neste sábado a aprovação de seu Parlamento para invadir a Ucrânia, onde as suas tropas aparentemente já tomaram a península da Crimeia, rejeitando apelos ocidentais para contenção. Conversas sobre confronto ou guerra total se espalharam rapidamente por toda a Ucrânia, com manifestantes pró-Moscou levantando a bandeira da Rússia em prédios do governo em várias cidades e políticos antirussos pedindo mobilização. O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatseniuk, disse que uma intervenção militar russa levaria à guerra e ao fim de qualquer relação com Moscou. Ele pediu uma solução política. A afirmação aberta de Putin sobre o direito de enviar tropas para um país de 46 milhões de habitantes na Europa Central criou o maior impasse entre a Rússia e o Ocidente desde a Guerra Fria. A medida também rejeita o apelo de líderes ocidentais por uma não intervenção russa, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que na véspera pronunciou um discurso transmitido pela televisão para avisar Moscou das consequências de uma eventual ação. Tropas sem identificação, mas claramente russas - algumas em veículos com placas registradas na Rússia - já tomaram a Crimeia, uma península isolada no Mar Negro onde Moscou tem uma base militar. As novas autoridades de Kiev não têm sido capazes de intervir na região. O Ocidente pediu uma resposta, mas até agora isso tem sido limitado a palavras de raiva de Washington e seus aliados europeus. Uma autoridade dos EUA disse que o secretário de Defesa norte-americano, Chuck Hagel, conversou com o seu homólogo russo, Sergei Shoigu. O funcionário disse que não houve mudança de postura militar dos EUA. A chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou que a aprovação russa para o uso da força na Ucrânia representava uma escalada injustificada e exortou Moscou a não enviar tropas ao país vizinho. Da Suécia, o chanceler Carl Bildt disse que a ação russa era "claramente contra a lei internacional". O presidente tcheco, Milos Zeman, lembrou a invasão soviética da Tchecoslováquia em 1968. "Necessidade urgente de alívio (da tensão) na Crimeia", pediu o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, em mensagem no Twitter. "Os aliados da Otan continuam acompanhando de perto." A Grã-Bretanha convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para este sábado com o objetivo de discutir os acontecimentos na Ucrânia. Putin pediu ao Parlamento para aprovar o uso da força "em conexão com a situação extraordinária na Ucrânia, a ameaça à vida dos cidadãos da Federação Russa, os nossos compatriotas" e para proteger a Frota do Mar Negro na Crimeia. A Câmara Alta rapidamente aprovou o pedido de forma unânime em uma votação que foi transmitida pela TV. A autorização durará "até a normalização da situação sociopolítica no país", disse Putin em seu pedido. Sua justificativa - a necessidade de proteger os cidadãos russos - era a mesma que ele usou para lançar uma invasão da Geórgia, onde as forças russas tomaram duas regiões separatistas e as reconheceram como independentes em 2008. Até agora não houve nenhum sinal de ação militar russa na Ucrânia para além da Crimeia, a única parte do país com uma maioria étnica russa, que em muitas vezes expressou intenções separatistas. Enquanto a tensão aumentava neste sábado, manifestações se tornaram violentas em cidades do leste, onde a maioria das pessoas, embora etnicamente ucraniana, fala russo, e muitas apoiam Moscou e o presidente deposto Viktor Yanukovich. "A GUERRA CHEGOU" Apesar de não haver dúvidas de que as tropas não identificadas que já tomaram a Crimeia sejam russas, o Kremlin ainda não confirmou abertamente. Um porta-voz do governo russo disse que Putin ainda não tinha decidido sobre a intervenção e que ainda esperava evitar uma nova escalada. O ritmo acelerado dos acontecimentos abalou os novos líderes da Ucrânia, que tomaram o poder em um país à beira da falência quando Yanukovich fugiu de Kiev na semana passada depois de a polícia matar dezenas de manifestantes da oposição na capital do país. A crise na Ucrânia começou em novembro do ano passado, quando Yanukovich, sob pressão de Moscou, desistiu de assinar um pacto de livre comércio com a UE para estreitar os laços com a Rússia. Após o anúncio do pedido de Putin para intervir, o presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchynov, convocou uma reunião de seus chefes de segurança. Vitaly Klitschko, outro líder da oposição, pediu uma mobilização geral. Na Praça da Independência de Kiev, onde os manifestantes acamparam durante meses em protesto contra Yanukovich, um filme de Segunda Guerra Mundial sobre a Crimeia era exibido em uma tela gigante. O ex-ministro do Interior Yuri Lutsenko interrompeu para anunciar: "A guerra chegou." Na Crimeia em si, a chegada das tropas foi aplaudida pela maioria russa. Na cidade costeira de Balaclava, as famílias posaram para fotos com os soldados. "Eu quero viver com a Rússia. Eu quero me juntar à Rússia", disse Alla Batura, de 71 anos, que viveu em Sebastopol por 50 anos. "Eles são bons... estão nos protegendo, assim nos sentimos seguros." Mas nem todo mundo estava tranquilo. Inna, balconista de 21 anos, disse: "Estou em estado de choque. Não entendo o que diabos é isso... As pessoas dizem que eles vieram aqui para nos proteger. Quem sabe?" Para muitos na Ucrânia, a perspectiva de um conflito militar era arrepiante. "Quando um eslavo luta contra outro eslavo, o resultado é devastador", disse Natalia Kuharchuk, uma contadora em Kiev. "Que Deus nos salve." (Reportagem adicional de Alissa de Carbonnel, em Balaclava, na Ucrânia; de Timothy Heritage e Stephen Grey, em Kiev; e de Lina Kushch, em Donetsk)