segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Governo federal diz que abastecimento de energia do país está assegurado
Oposição síria agrega rebeldes a delegação que participa de reunião em Genebra
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Uma das linhas de transmissão da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, será construída pelo consórcio formado pelas empresas Furnas, Eletronorte e State Grid.
Uma das linhas de transmissão da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, será construída pelo consórcio formado pelas empresas Furnas, Eletronorte e State Grid. A proposta apresentada foi R$ 434,6 milhões, 38% menor que o teto estipulado pelo governo de R$ 701 milhões. Em entrevista, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, disse que o leilão cumpriu o objetivo de permitir que grandes blocos de energia sejam escoados do Norte para o Sudeste do país. A obra vai ligar a usina, no Pará, aos centros consumidores de energia na região Sudeste. O edital prevê duas etapas para o leilão. Na primeira, a construção da linha será oferecida em lote único. A linha terá 2,1 mil quilômetros de extensão que vão cortar os estados do Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais.
O legado de Niemeyer é revisitado em obra editada na Espanha
“A liberdade e o desenho são fundamentais na vida de um homem”, dizia Oscar Niemeyer, defendendo o ato de criar desde criança, no impulso de um traço no ar, sem computadores nem simuladores, como a base indiscutível da beleza que ele transferiu para tantas obras, até completar mais de um século de vida. Sua liberdade foi essencial contra a chatice dos racionalismos, como também em relação à plástica, transformando o concreto em uma surpresa gravitacional e estimulante, a partir de uma caneta preta sobre papel vegetal.
É o que conta o livro La arquitectura de Óscar Niemeyer a partir de sus dibujos (A arquitetura de Oscar Niemeyer a partir de seus desenhos), do arquiteto e professor Manuel Franco, testemunha do enérgico processo criativo de Niemeyer em seu estúdio de Copacabana, quando o brasileiro contava 92 anos de idade.
O livro, recomendável para leitores de todo o tipo, é uma análise excepcional de como Niemeyer leva o sentido da emoção à arquitetura. Descreve seus encontros no estúdio dele – dominado pelos nus femininos de Lucien Clergue – como uma experiência em que o gesto e a ideia são inseparáveis. Niemeyer, fumando e com as mãos nos suspensórios, “não sabia expressar o mais profundo de seu pensamento arquitetônico sem a ajuda de seu desenho, sem o recurso da mão” observa o autor. Fotos e ilustrações originais comprovam o grafismo “militante” do mestre em relação às suas fantásticas construções.
Niemeyer confessa ao arquiteto espanhol como resolve um projeto: “a base são o desenho e a cabeça”. O brasileiro contou que “quando criança começava a desenhar com o dedo, assim, no ar, e minha mãe perguntava: ‘o que está fazendo?’ E eu lhe respondia: ‘estou desenhando’. De modo que foi o desenho que me levou à arquitetura”.
Le Corbusier disse que Niemeyer “tinha dentro de si as montanhas do Rio de Janeiro”. E também, segundo ele mesmo, o ser humano: “se a arquitetura é importante, mais ainda é a luta pelo social”. E a mulher: “Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura e inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso de sus rios, nas ondas do mar e no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”. De fato, Koolhaas define Niemeyer como “a prova viva de que, na arquitetura interessante, sexo e comunismo andam juntos”.
Manuel Franco diz que beleza unida a função é o “maior valor” do legado de Niemeyer. Curvas, letras “v” ou cúpulas invertidas, tal qual flores abertas, como na Praça dos Três Poderes; ou, ao contrário, como na Catedral de Brasília ou o auditório em forma de seio na sede do Partido Comunista francês.
O Teatro Popular de Niterói é seu desenho de uma mulher deitada; sua linha é o horizonte, visto desde o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, com o Pão de Açúcar ao fundo; e o sonho de um pássaro gigantesco, a Universidade de Constantine. A comparação do livro entre conceitos, desenhos e edifícios constitui toda uma surpresa.
Niemeyer desenhava viajando, de modo que do Palácio Ducal de Veneza faz esboços – incluindo as essenciais rasuras – a partir dos quais constrói, à beira d´água, a sede da Mondadori. É especialmente interessante a explicação sobre quatro poderosas armas do grafismo de Niemeyer: “os borrões”, “o olho que presta atenção”, “o arco solar” e “o macaco”. Por meio delas, por exemplo, o Hotel de Ouro Preto ou o Ministério da Educação no Rio de Janeiro se transformam em sublimes experiências de vista e sol.
Seguindo o traço do gênio brasileiro, o livro também repassa uma grande quantidade de paredes desenhadas em seus edifícios. E analisa o grafite, que Niemeyer utiliza para gritar sua mensagem, vermelha de esperança, na impressionante mão de concreto que é o Memorial da América Latina, em São Paulo.
O capítulo Espaço público. A praça descreve de modo prazeroso a polêmica atribuição do edifício das Nações Unidas em Nova York, quando Le Corbusier convence o arquiteto vencedor, Niemeyer, a unir projetos. Esse fascinante choque entre egos e aspirações criativas dá lugar a uma pormenorizada análise em defesa de Niemeyer, a partir de desenhos e fotos bem ilustrativas dos arquitetos em ação.
O estudo termina com comentários de Foster, Hadid, Herreros e Piano, todos em favor do mito e da influencia que para eles é o arquiteto brasileiro.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Charles Chaplin, cem anos do vagabundo mais querido
Em fevereiro de 1914 apareceu nas telas o vagabundo profissional mais famoso da história do cinema. Nasceu entre a fuligem de Londres de 1889, no ano em que o filho de Sisi e Francisco José de Habsburgo se suicidou. O canto de dois séculos turbulentos, quando as crises europeias empurravam a emigração a América. Charles Chaplin nos mostraria seu ritual azarado em Imigrante (1917). O cômico fugitivo judeu dos subúrbios londrinos, do abrigo, dos problemas familiares, da loucura materna, parou em Hollywood em 1914 e, em seus três primeiros curta-metragens compõe sua iconografia de tramp, de vagabundo, com ecos de Dickens de Oliver Twist, da malandragem de Henry Fielding e do teatro de pantomima.
Sua composição é uma verdadeira paródia: adota o chapéu-coco e a bengala próprios da burguesia, o bigodinho dos galãs sedutores, mas seus sapatões bagunçados e suas calças esfarrapadas evidenciam sua contradição. É o ano em que Freud publica Introdução ao narcisismo. Anti-herói grotesco, inventa uma linguagem corporal que torna a palavra desnecessária e se permite às vezes a heresia dramática de olhar à câmera, isto é, ao público, para ativar sua empatia. Logo inaugura sua famosa voltinha ao virar uma esquina, geralmente fugindo de um policial ou de um jagunço: para ele são a mesma coisa. Nos Estados Unidos se tornou rapidamente o familiar Charlie, Carlitos na América Latina e Charlot na França e Espanha.
A poética da marginalização suburbana, que nos conduzirá ao romance Tortilla Flat (1935), de John Steinbeck, nasce no ano da Primeira Guerra por obra de Carlitos, o anti-herói da periferia e marginalizado que nos faz rir, porque executa as irreverências e estragos que todos gostaríamos de provocar alguma vez. Mas também nos comove, exercendo de um pai ao que arrebatam seu filho adotivo no filme O Garoto (1921). Ou buscando o amor nos olhos de Mabel Normand, sua colega habitual. O mundo intelectual se rende diante dele: Gómez da Serna fala de “Charlotismo” e Francisco Ayala o define como “o homem que sobra” das ruas e dos cais. E, a pesar das muitas mutações, seu bigodinho permanecerá inalterável até que se confunda com o de Hitler na tragicomédia do Grande ditador (1941).
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Dilma diz que sistema elétrico do país deve ser à prova de raios
BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO, 6 Fev (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff reafirmou nesta quinta-feira que o sistema elétrico brasileiro precisa ser à prova de raios, de acordo com o ministro da Comunicação Social, depois que o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, apontou uma descarga elétrica como possível causa do apagão desta semana.
Um grupo técnico começou a estudar nesta quinta-feira O que teria provocado os dois curto-circuitos em linhas de transmissão que levaram a um apagão de energia em diversos Estados do país na terça-feira, e um relatório conclusivo deve ficar pronto em até 15 dias.
"Uma das hipóteses é descarga elétrica", disse o diretor-geral do ONS ao ser abordado por jornalistas quando saía da sede da autarquia, se referindo à possibilidade de um raio ter atingido o sistema.
No fim da tarde desta quinta-feira, o ministro da Comunicação Social, Thomas Traumann, disse a jornalistas que a presidente Dilma reafirmou sua declaração de 27 de dezembro de 2012 de que "o sistema elétrico brasileiro necessariamente precisa ser à prova de raios".
"O Brasil é um dos países de maior quantidade de raios do mundo, o sistema elétrico brasileiro foi montado para ser à prova de descargas elétricas, com uma gigantesca rede de para-raios", afirmou o ministro.
"Se raios foram realmente responsáveis pela queda no fornecimento de energia na última terça-feira, cabe ao ONS apurar se os operadores estão mantendo adequadamente sua rede de para-raios."
Há informações de que descargas elétricas foram detectadas perto de uma das linhas afetadas pelo curto-circuito. "Os técnicos estão fazendo uma releitura dos equipamentos, se houve dano ao isolador, verificam porque o raio provocou o curto e se foi um raio", disse Chipp.
"Só daqui a 15 dias (vamos saber), quando acredito que o relatório deve ficar pronto", adicionou.
Mais uma vez, Chipp descartou a possibilidade de falha humana ou mecânica para o apagão dessa semana. "Mas pode ser que o curto tenha sido provocado por outros fenômenos. Falha humana está descartada", frisou.
(Por Jeferson Ribeiro, em Brasília; e Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro)
A Petrobras é castigada com a fuga de capitais do Brasil
Se algum investidor tivesse comprado as ações da Petrobras em novembro de 2008 e voltado para olhá-las apenas agora, iria pensar que elas não saíram do lugar. Os papéis da empresa, que chegaram a valer mais de 40 reais nos tempos áureos, estão hoje na casa dos 14,30 reais. Apenas em 2014 as perdas em suas ações já somam cerca de 20% e a empresa foi a que mais perdeu valor na BM&FBovespa, ou quase 40 bilhões de reais. Nesta quinta-feira, os papéis da empresas se recuperaram e subiram mais de 2%, mas o movimento foi visto
somente como um repique pontual, puxado por dados positivos do emprego mais forte nos Estados Unidos. A expectativa é de um ano duro para a maior empresa do país e a quarta petroleira do mundo.
Na quarta-feira, os papéis da Petrobras tinham caído mais de 3%. O resultado foi atribuído à prorrogação do prazo de divulgação do balanço patrimonial, que passou do dia 14 deste mês para o dia 25. O ministro da Fazenda e presidente do conselho de administração da Petrobras, Guido Mantega, afirmou, no entanto, que a prorrogação foi decidida para dar mais tempo de levantar os dados para a reunião da diretoria. Posturas como essa, somadas com uma política defasada de reajuste do preço dos combustíveis, estão causando uma fuga de investidores que chega a ser considerada exagerada por alguns especialistas.
“Cada vez que o ministro da Fazenda abre a boca, as ações da Petrobras caem mais”, diz o analista Antonio Carlos Góes, da TOV Asset. O valor das ações deveria ser de 26,17 reais, de acordo com os cálculos do gestor da HPN Invest, Paulo Brito, em vez dos atuais 14,22 reais. Esse valor reflete quanto uma outra empresa teria de investir se fosse construir um patrimônio que pudesse entregar as mesmas receitas que a Petrobras consegue obter. A defasagem se explica por uma série de fatores, entre eles, o alto endividamento, e a intervenção política para que a gasolina não aumente e não impacte na meta inflacionária brasileira. “O Governo tem uma política clara de priorizar o controle da inflação por meio dos preços dos combustíveis, em vez de agregar valor à empresa. Os fundos de investimentos e os investidores institucionais já perceberam isso.”
Para o professor Edmilson Moutinho dos Santos, da Universidade de São Paulo (USP), as eleições presidenciais devem levar o Governo a adiar reajustes dos combustíveis que equiparem o mercado interno ao internacional. “Pode ocorrer um aumento dos preços até a casa dos 6%, mas é difícil imaginar que o Governo vá apertar esse gatilho impopular. O fato é que, terminadas as eleições, o novo presidente da República vai ter de fazer esses aumentos”, afirma ele. Como as eleições só acontecem no final do ano, os investidores estão pagando o que a companhia vale neste momento, ou seja, menos do que deveria.
O professor da USP é um dos que acreditam que a desvalorização da ação da Petrobras foi excessiva, sem refletir a realidade financeira da empresa. “Muita gente que entrou para investir na esteira (das descobertas de petróleo) do pré-sal não fez as contas. Esses investimentos são de médio prazo a longo prazo e esses poços agora estão começando a produzir em um nível que já corresponde a 25% do consumo diário do país, que é de 2 milhões de barris. O retorno vai acontecer”, diz ele. “Eu investi em 2008 na empresa para a minha aposentadoria. De lá para cá, o cenário para produção da empresa até 2030 e suas reservas não mudaram significativamente, e uma empresa petroleira tem seu valor medido basicamente por esses fatores.”
Além disso, o analista Brito afirma que a perspectiva de retomada da produção, que caiu cerca de 5% em 2013 no país, prevalece para o ano de 2014. “Não estamos falando de uma expectativa distante. O mercado trabalha com projeções de aumento da produção em torno de 5% a 10% este ano. E muitos investidores estão vendo uma oportunidade em investir agora na empresa”, diz ele.
No dia 25, quando divulgar seu balanço, a companhia vai apresentar seu plano de negócios revisto. No planejamento atual, a meta é investir 236 bilhões até 2017. A companhia tem vivido um processo de ajuste de contas, para reduzir o endividamento, vendendo alguns ativos e reduzindo custo de produção. Mas o valor das ações ainda não refletem essas melhorias. Estão numa proporção de sete vezes o valor do lucro da petroleira, segundo a gestora Franklin Templeton. Os papeis da AmBev, por exemplo, dona das marcas de cerveja Brahma e Skol, têm uma proporção de 19 vezes o lucro. Por ora, é melhor investir em cerveja do que em petróleo no Brasil, apesar das ricas descobertas dos poços de petróleo na camada do pré-sal. Um cenário ruim para a companhia que já foi vedete internacional e hoje é castigada pelos investidores que permitiram aumentos de capital generosos em outras épocas.
Fonte:el pais
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