quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Descoberta no Egito uma pirâmide de 4.600 anos


Uma equipe de arqueólogos fez uma escavação nas cercanias da cidade de Edfu, no sul do Egito, e descobriu uma pirâmide em degraus (ou escalonada) que foi construída há mais ou menos 4.600 anos. A construção, atualmente de pouco mais de 5 metros de altura mas que na época alcançava 13 metros, faz parte das pirâmides conhecidas como “provinciais”, construídas durante os reinados do faraó Huni (2.635 a.C) e do faraó Snefru (2.610 a.C). Estima-se que a construção, feita de tijolos de arenito e argila, é algumas décadas mais velha do que a famosa pirâmide de Queóps. As sete pirâmides provinciais estão espalhadas em vários assentamentos no centro e no sul do país árabe. Por não ser destinadas a se converter em um monumento funerário, não possuem câmaras internas. Não está claro qual foi o propósito de sua construção, mas os especialistas acham que eram monumentos públicos para engrandecer o poder dos faraós. Exceto uma delas, todas as outras têm uma dimensão muito parecida, com uma base de aproximadamente 20 por 20 metros. Mapa de localização das sete pirâmides provinciais no Egito. “As características parecidas entre estas pirâmides é algo assombroso. Está claro que faziam parte de um mesmo plano... A construção reflete um bom domínio da construção com pedra, sobretudo pelo ajuste dos blocos”, declarou à publicação Live Science Gregory Marouard, um arqueólogo do Instituto Oriental da Universidade de Chicago, membro da equipe que realizou a descoberta. Como o monumento sofreu o roubo dos tijolos de sua parte superior, perdendo parte de sua forma de pirâmide, os habitantes dos povos próximos sempre acharam que se tratava de uma tumba de um homem santo muçulmano. Aos pés da pirâmide encontraram-se restos humanos e de oferendas de comida, além de vários hieróglifos que os arqueólogos acham que datam de séculos após a construção do monumento. “Estas são inscrições privadas, pouco sofisticadas, e seguramente dedicadas às tumbas de crianças situadas sob os hieróglifos, aos pés da pirâmide”, explica Marouard. Embora os especialistas sabiam da existência da pirâmide, sua estrutura concreta não foi revelada até que a equipe de Marouard começou seus trabalhos em 2010, segundo um estudo apresentado no simpósio da Sociedade para o Estudo das Antiguidades do Egito realizado recentemente em Toronto. Segundo os estudiosos, quando o faraó Quéops iniciou seu reinado, ele teria abandonado o cuidado das pirâmides provinciais. Esta decisão coincidiria com a construção das pirâmides de Giza, entre as quais se enconta a pirâmide de Quéops.
Fonte:el pais

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

PSB tenta construir a terceira via brasileira com “paciência revolucionária”


Nem o Partido dos Trabalhadores, nem o Governo tucano do PSDB. O Partido Socialista Brasileiro (PSB), liderado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tenta ocupar o espaço de uma terceira via diante do cenário polarizado que a política assumiu no Brasil desde 1994. Depois de oito anos do PSDB na presidência, e 12 do PT, o partido socialista quer se apresentar como alternativa ao maniqueísmo do cenário atual. A ordem, porém, é não atacar de frente os adversários, principalmente o Governo petista, que teve Campos como ministro da Ciência e Tecnologia, e Marina Silva, a potencial vice, como titular da pasta do Meio Ambiente. “Vimos o Brasil eleger o primeiro filho do povo presidente da República (Lula da Silva) com o nosso apoio. E ninguém que está aqui se arrepende de ter emprestado a sua militância e a sua história para esse projeto”, discursou Campos, que tem a política na veia desde que nasceu. É neto de Miguel Arraes, um dos maiores expoentes da esquerda brasileira, que viveu no exílio por 16 anos, e que governou Pernambuco por três vezes. Para descolar-se do Governo atual, o candidato do PSB pontuou que embora o país tenha alcançado melhorias, há uma sensação de paralisia. “O Brasil avançava no sentido de acumular conquistas, sobretudo dos mais pobres, e mais que de repente, a sensação da freada, do desencontro”, disse Campos. Com palavras milimetricamente estudadas para um país que busca mudanças sem radicalismo, o governador pernambucano procurou assumir uma versão mais moderada de oposição. Assim, aproveita para construir um discurso alternativo, tateando o terreno dos eleitores dos outros partidos. “O desespero de alguns que querem ficar amarrados à máquina pública, e que efetivamente vão perder… nossa paciência revolucionária vai derrotá-los com argumentos e não com xingamentos. Com um projeto e visão de futuro do país”, argumentou. A “paciência revolucionária” parece estar a prova também para o PSB anunciar oficialmente o nome de Marina Silva, fundadora do partido Rede, como vice da coligação. Durante a apresentação do programa, Marina comportou-se como vice, dizendo inclusive que era o governador pernambucano era o candidato e cabia a ele escolher o vice, mas não assumiu a posição publicamente. “Marina tem o tempo dela, ela é uma pessoa muito mais conhecida que o Eduardo. Para alguém como ela, não se impõem regras, mas vai se tateando”, diz o deputado Marcio França (PSB-SP), que deve ser candidato do partido para o governo de São Paulo. Por ora, Campos está na posição mais cômoda, de atacar o Governo atual, e de testar as fórmulas para agradar a plateia. “Campos quer ser a terceira via, para os que desejam continuidade e também para os que querem mudança”, Rafael Cortez, cientista político da consultoria Tendências. No discurso, quer se apropriar das “bandeiras que ficaram no caminho”, tanto do PT como do PSDB, da educação, do emprego de qualidade e da competitividade. “Se continuarmos nesta diapasão, o Brasil perderá altura”, completou o candidato. Embora com a agenda correta para o país, o governador pernambucano ainda está longe de alcançar a preferência da maioria no eleitorado brasileiro, opina o cientista político Adriano Oliveira, professor da Universidade Federal de Pernambuco. Uma tarefa árdua, ainda que o cansaço com os partidos majoritários seja evidente. “Seu discurso não atinge os 40% de eleitores fieis de Lula e Dilma Rousseff”, avalia Oliveira. “Ele se posiciona contra o PT, mas ele ainda discursa para superar Aécio Neves (PSDB) e não Dilma”, acredita. Para Oliveira, Campos pode vir a surpreender em grandes centros urbanos, como São Paulo, onde chegou a ficar à frente de Neves em pesquisas eleitorais, na preferência dos paulistas. Mas, sua plataforma ainda não contempla um programa social definido, que é fundamental para captar os eleitores do Nordeste. Para Cortez, da Tendências, a briga será árdua com o eleitorado do PSDB, cujo principal ativo é um sentimento de antagonismo ao PT. “Eles governam em Estados importantes, e isso mobiliza o seu eleitorado (tucano)”, afirma. Hoje o PSDB governa oito Estados brasileiros, incluindo São Paulo e Minas Gerais, os principais colégios eleitorais do país.
Fonte:el pais

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Mandela deixa uma herança calculada em 10 milhões de reais


Quase dois meses depois de sua morte em Johannesburgo, no dia 5 de dezembro, nesta segunda-feira foi aberta a documentação da herança de Nelson Mandela, que deixa uma fortuna pessoal de uns 46 milhões de rands africanos (9,899 milhões de reais). Até em suas últimos pedidos, Madiba demonstrou ser algo mais que um ex-presidente porque, na hora de repartir, ele não só se recordou de sua extensa família direta, com também dos seus funcionários diretos domésticos e assistentes que o atenderam, alguns dos quais trabalharam com ele desde que saíra do cárcere, em fevereiro de 1990. Além disso, também deixa quantidades importantes para instituições educacionais e para o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), o partido no qual militou por toda a sua vida. “Mandela colocou em prática tudo o que sempre quis transmitir”, disse seu amigo e advogado George Bizos, um dos três encarregados de fazer o testamento. Havia muita expectativa por se conhecer o conteúdo deste testamento. Por um lado, para saber exatamente o valor de sua fortuna, e, por outro, por como a família vai reagir, já que os parentes não hesitaram em brigar nem quando o patriarca estava em estado crítico de saúde. Além disso, algumas informações revelaram que durante os dias de brigas e no mesmo dia do enterro, sua filha mais velha mudava a fechadura da porta da casa de Qunu para prejudicar o neto e o chefe do clã e que as filhas queriam tirar a viúva, Graça Machel, das propriedades. Bizos explicou que hoje a família se comportou e “não se deram sinais visíveis de desavenças”. Talvez o fato de que Machel tivesse anunciado ali mesmo que renunciria à parte de sua herança tenha ajudado a relaxar o ambiente. A viúva tem 90 dias para oficializar seu gesto, informou Justice Moseneke, outro dos executores do testamento. Embora não exista uma confirmação oficial, o que parece claro é que Graça deixará a mansão do luxuoso bairro de Houghton, em Johannesburgo. Foi onde Mandela morreu no último 5 de dezembro, aos 95 anos, e era sua residência desde que deixou a presidência sul-africana em 1999. A propriedade passará para as mãos de Mandla, seu neto maior e chefe do clã, que também se encarregará do gerenciamento de uma das empresas do avô. Mandela foi rigoroso em suas últimas vontades, repartindo a todos por igual. Para as suas três filhas, ele já tinha deixado em vida 720.000 reais e fará o mesmo com os filhos que Machel teve do primeiro casamento. Seus netos receberão a mesma quantidade, exceto Mandla. E seus bisnetos receberão cada cerca de 21.500 reais. Mas a marca Mandela teve outros beneficiários. Além da sua família, foram beneficiados motoristas, secretárias os demais funcionários que trabalharam com ele até os últimos dias. Cada um recebeu cerca de 9.800 reais. É o caso da cozinheira Xoliswa Ndoyiya. Mais de duas décadas alimentando o ícone da paz e hoje quase chorava “não pelo dinheiro mas porque ele se lembrou de mim, que era apenas uma empregada”. Na testamento também estava Sara Mawela, uma empregada doméstica que também não acreditava na “bondade de Tata (como Mandela também era conhecido)”. Sara levara mais da metade de sua vida com os Mandela. “É uma honra que ele tenha lembrado de nós”, dizia. Em termos similares expressava-se Nocingile Rexe: “Não era só meu chefe, era meu pai também”. Mandela também deixou herança ao ANC, a formação política na qual lutou pela igualdade racial na África do Sul. O testamento estabelece “entre 10% e 30% de royalties” de uma das empresas que gerencia os direitos de imagem de Madiba. O dinheiro terá que ser destinado a “políticas de reconciliação”. Sempre preocupado com a educação, Mandela deixou 21.500 reais para quatro escolas e universidades onde ele se formou para que esse valor seja destinado a bolsas. Da mesma maneira, receberão os mesmos fundos a escola de Qunu, localidade onde ele está enterrado, e uma do bairro de Soweto onde viveu até ser preso.
Fonte:el pais

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Irã diz que fracasso em negociações nucleares seria um "desastre"



Por Adrian Croft e Alexandra Hudson MUNIQUE, 2 Fev (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores do Irã teve uma rara reunião com seu equivalente dos Estados Unidos e disse que seria um "desastre" se Teerã não transformasse o acordo provisório para resolver uma disputa que já dura uma década sobre o seu programa nuclear em um acordo permanente. Em um sinal de descongelamento das relações entre a República Islâmica e o Ocidente, o iraniano Mohammed Javad Zarif disse que conversou com o secretário de Estado norte-americano John Kerry e com ministros das seis potências que negociam com Teerã, durante uma conferência de segurança de três dias em Munique. Essas conversas vão ter sequência em Viena, a partir de 18 de fevereiro, quando o Irã e as seis potências vão tentar, em um período de seis meses, construir um acordo provisório sobre as atividades nucleares de Teerã para chegar a um entendimento permanente. "O que posso prometer é que vamos encarar essas negociações com vontade política e boa fé para chegar a um acordo porque seria muito tolo da nossa parte barganhar por apenas seis meses", disse Zarif em uma entrevista coletiva após sua reunião com Kerry. "Seria um desastre para todos começar um processo e encerrá-lo abruptamente em seis meses", completou. Zarif afirmou que o Irã e o Ocidente têm uma oportunidade histórica de melhorar suas relações. "Eu acho que precisamos aproveitá-la", disse. O Irã insiste que o seu programa nuclear é completamente pacífico, mas os países ocidentais suspeitam há muito tempo que Teerã está tentando adquirir habilidade de desenvolver armas nucleares. Em um acordo preliminar em novembro, envolvendo Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha, o Irã concordou em suspender partes mais sensíveis das suas operações nucleares em troca de alívios nas sanções internacionais que são impostas a ele. O acordo diminuiu o risco de Israel ou os Estados Unidos lançarem um ataque militar contra as instalações nucleares iranianas para evitar que Teerã consiga uma bomba nuclear. SANÇÕES Kerry sublinhou para Zarif a importância de os dois lados negociarem com boa fé e de o Irã cumprir o que prometeu no acordo de novembro, disse um representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os Estados Unidos e a União Europeia suspenderam algumas sanções sobre o Irã por causa do acordo provisório, mas Kerry disse para Zarif que os Estados Unidos vão continuar a fazer valer outras sanções. Kerry e Zarif reuniram-se várias vezes desde a eleição do presidente iraniano Hassan Rouhani, relativamente moderado, em junho do ano passado, que pavimentou o descongelamento das relações com o Ocidente após anos de conflitos e retóricas hostis. Zarif disse que o Irã estava preparado para tratar de questões importantes nas negociações nucleares, mas disse que ainda falta um pouco de confiança nos dois lados, inclusive entre iranianos a respeito das intenções do ocidente. Zarif falou para a Reuters em uma entrevista no último sábado, no entanto, que o Irã não estava preparado para abdicar das pesquisas que realiza com centrífugas para purificar urânio em um eventual acordo nuclear permanente.
Fonte: Reuters

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

No Brasil, ajustes precisam ser feitos “agora ou nunca”


O ritmo de “devagar e sempre” da economia brasileira vai se manter neste ano, segundo o relatório do Banco Mundial, que prevê um crescimento “modesto, mas consistente”, de 2,4% do PIB em 2014, e de 2,7% em 2015. Surpreende, entretanto, o otimismo da instituição  com o futuro do país, ao descrever que o Brasil sairá desse resultado neste ano, “acelerando para 3,7% em 2016”. A melhora das exportações, assim como do consumo interno, viriam a colaborar para esse resultado.
 A projeção é vista com cautela por economistas, num momento em que o país debate a falta de ajustes na política econômica do Governo Dilma. “Só vejo esse crescimento (de 3,7%) num governo de Eduardo Campos ou de Aécio Neves”, diz Sérgio Vale, economista da MB Associados, em referência aos adversários políticos da presidenta Rousseff na corrida eleitoral deste ano. Campos é o potencial candidato do PSB, e Neves, do PSDB. “Rousseff sinalizou que não há preocupação concreta com a inflação e faltou firmeza nas concessões, criando um processo de desconfiança do investidor”, diz Vale.
 Luís Suzigan, economista da LCA, acredita que o Brasil tem sim potencial para crescer entre 3,5% e 4% na segunda metade desta década, mas para alcançar esse resultado é preciso ajustar desequilíbrios decorrentes de mudanças no ambientel global, “mas também associados a algumas barbeiragens no âmbito interno”, que demandam ações do governo para evitar retrocessos. “A situação fiscal é o que mais preocupa. Os ajustes não precisam ser draconianos, como os que foram implementados recentemente na Europa, por exemplo, mas precisam dar maior consistência ao manejo das políticas publicas a longo prazo, revigorando a confiança corporativo”, explica Suzigan. O investimento privado, fundamental para garantir o crescimento, tem se mantido pouco abaixo dos 20% do PIB nos últimos anos, o que faz o país depender de investimentos estrangeiros, e públicos. Ele lembra que os países latinos que centraram esforços em reformas do gênero, como o Peru, o Chile e a Colômbia, vão preservar taxas de crescimento mais vistosas.
Para Suzigan, o ajuste monetário no Brasil – marcado pela alta de juro - com vistas a manter a inflação em xeque, já parece próximo de se completar. Nesta quarta-feira, o Banco Central brasileiro deve aumentar, uma vez mais, a taxa Selic, hoje em 10%, exatamente para domar o dragão inflacionário, e criar um “escudo” para a volatilidade que se instala com o fim dos incentivos monetários nos Estados Unidos. Já o ajuste fiscal, que prevê gastos públicos austeros, deve ser mais cauteloso do que o necessário neste ano, em função do calendário eleitoral. “Este é um elemento de risco para os próximos anos”, observa.
Vale, da MB Associados, lembra que em anos eleitorais como o de 2014 no Brasil, os gastos públicos sobem e pressionam o índice inflacionário, que em 2013 fechou em 5,91%, perto do teto da meta estabelecida pelo BC, de 6,5%. “Para chegar ao centro da meta, de 4,5%, os juros precisariam estar em 14%”, afirma. Uma taxa nesse patamar, em todo caso, viria a arrefecer a inflação, mas também o consumo e o investimento, e retardaria a expansão da economia.
 Agricultura
 O Banco Mundial prevê, ainda, que países emergentes, como o Brasil, devem sentir o impacto da redução dos preços das commodities, que estiveram em alta até 2011. Para Anderson Galvão, sócio da Célere Consultoria, especializada em commodities, esta é uma realidade que vale para matérias-primas não alimentícias, como algodão, celulose, ou borracha, mas não para as alimentícias, como soja ou trigo, que ainda têm um ciclo de alta favorável no médio prazo. “Ainda há demanda firme em economias emergentes, que estão comendo cada vez melhor, e aumentam, inclusive, o custo de produção, o que aumenta o preço”, diz Galvão.
O crescimento de 3,7%, acredita, é factível porque a melhora do ambiente em economias mais ricas beneficia o Brasil, e ainda há mudanças em curso no país, como as concessões no setor de logística, capazes de sustentar um crescimento da produção. Ele cita, por exemplo, a concessão feita no ano passado de trechos da rodovia BR-163, que corta o cinturão agrícola do sul ao norte do país. “Somente no Pará, o desenvolvimento dessa rodovia é capaz de ampliar em até 700 mil hectares áreas que são subaproveitadas, do ponto de vista agrícola”, explica. “Todas as cidades que vivem de agricultura no Brasil estão fervilhando e sofrendo com problemas como a falta de mão de obra.”
A indústria, porém, que em tese deveria ocupar um lugar mais destacado no PIB, continua patinando. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor industrial cresceu 1,1% em 12 meses, no acumulado até novembro de 2013. Para a economista Lídia Goldenstein, a indústria brasileiras perderam espaço em função da recessão no exterior, mas também pela sua própria falta de competitividade. “Não fizemos nossa lição de casa, não investimos em inovação para ganhar um diferencial competitivo. Isso me deixa pessimista, pois mostra mostra que nossa indústria não está pronta para uma eventual retomada da economia global”, afirma. Mesmo a perspectiva de abertura por meio de acordos comerciais, como o que está sendo discutido com a União Europeia, não se sustentam sem investir onde interessa, avalia. “Pode fazer quantos acordos quiser. Se não houver uma indústria moderna, não tenho mercado no mundo atual.”
Fonte:el pais

A fome mata na Síria


No campo de refugiados palestinos de Yarmouk, ao sul de Damasco (Síria), o cardápio do dia consiste em vegetais podres, ervas do chão, molho de tomate em pó, especiarias dissolvidas em água, ração para animais, cães, gatos, ratos. Não há nada mais para levar à boca. A fome e a falta de vitaminas e suplementos mataram 48 pessoas nos últimos três meses, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. A UNRWA, agência da Organização das Nações Unidas para refugiados palestinos (site em inglês), confirmou a morte de pelos menos vinte. Nem comida, nem medicamentos entram no bairro desde o verão (meados do ano passado), quando se intensificou o cerco das tropas leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad. A presença de pelo menos quatro grupos de oposição no país, entrincheirados entre os civis, é a justificativa do governo para o bloqueio absoluto. É o caso mais extremo, mas os Comitês Locais de Coordenação alertam para o cerco prolongado em partes de Guta, Homs e Aleppo. A UNRWA denuncia o “profundo sofrimento” dos palestinos e a necessidade “desesperada” de ajuda humanitária. Seu chamado para garantir que o bloqueio seja aliviado está surtindo efeito e se negocia a possibilidade de que seis caminhões entrem no acampamento e aliviem esta situação escandalosa, confirmou Mohamed Shtayyeh, membro do comitê central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que organiza a ação. Já houve outra aproximação em novembro, mas não deu em nada. A UNRWA denuncia o “profundo sofrimento” dos palestinos e a necessidade “desesperada” de ajuda Na Síria estão registrados cerca de 540.000 refugiados palestinos, dos quase cinco milhões espalhados pelo mundo inteiro. A UNRWA estima que 270.000 fugiram de suas casas por causa do conflito sírio e outros 80.000 foram exilados no Líbano e na Jordânia, onde se encontram especialmente em um perigoso limbo legal. O campo de Yarmuk foi inaugurado em 1957 para abrigar palestinos expulsos pelas milícias judaicas na guerra de 1948. Viviam ali cerca de 150.000 refugiados palestinos e 100.000 sírios, atraídos pela sua vida comercial e o fato de que não era um campo oficial, fechado a quem não fosse palestino. Agora, confirma o partido Fatah, permanecem no Yarmuk 18.000 pessoas, mulheres, crianças e idosos que não conseguiram fugir e enfrentam a fome provocada como estratégia de guerra. Já não há opção nem de contrabando, acabaram até os estoques vendidos no verão, como o arroz, a 100 dólares o quilo. A falta de oferta de produtos se soma à insalubridade. Há um ano não há eletricidade e, portanto, tampouco calefação. Móveis e galhos são queimados nos quintais para que o calor entre nas casas e barracas. O abastecimento de água é intermitente, quatro horas a cada três dias, disse Christopher Gunness, porta-voz da agência da ONU responsável pelos palestinos. Mais de 3.000 civis estão abrigados em escolas, já que suas casas estão deterioradas. Amani, uma universitária de Yarmouk que voltou em setembro a Gaza, de onde sua família partiu nos anos cinquenta rumo à Síria, fala de “puro horror”. Seus tios e avós ainda estão lá, embora não consiga falar com eles. “Até os médicos fugiram, o regime matava que fosse trabalhar no campo. Só resta esperar que Deus nos ajude”, lamenta. Até os médicos fugiram, o regime matava que fosse trabalhar. Só nos resta a ajuda de Deus. Amani, uma universitária de Yarmuk Mutawalli Abou Nasser, um ativista e antigo vizinho, explica que durante o primeiro ano da revolução contra Assad o bairro se manteve neutro. Os palestinos levaram durante décadas uma vida relativamente tranquila graças a uma lei de 1956 que concedeu direitos semelhantes aos dos sírios. Na década de oitenta começaram a ser rotulados como “opositores”, após a expulsão da liderança da OLP por Hafez Assad, pai de Bashar, mas ao longo dos anos eles voltaram a levar uma vida normal, fazendo de Yarmuk um bairro a mais de Damasco, muito vivo. Nos primeiros meses de contestação ao regime, sírios de outras regiões do país se refugiaram lá “porque havia abundância de alimentos e medicamentos”, diz Abou Nasser. Ocorreram importantes operações em busca de adversários no local, mas não havia excesso de violência. O primeiro bombardeio aconteceu em dezembro de 2012, depois que membros do grupo rebelde Exército Sírio Livre chegaram ao acampamento. O governo atacou imediatamente, com contundência e constância, e ganhou, assim, a inimizade dos moradores. Foram sete meses de cerco parcial até que em julho de 2013 o isolamento foi total. Tanques e artilharia cercam o campo e os soldados de Assad controlam o único posto de controle de acesso. “Existe pouca ou nenhuma liberdade de movimento”, observa Peter Maurer, presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, em visita à Síria. Cerca de 300 pacientes que seriam resgatados pela organização na semana passada seguem lá dentro porque francoatiradores jihadistas (possivelmente do Al Nusra ou do Estado Islâmico do Iraque e Síria) impedem a sua saída.
Fonte:el pais

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Obama alerta Rajoy que seu “grande desafio” é reduzir o desemprego


Ao fim de uma reunião que durou uma hora, e com breves declarações no Salão Oval, o presidente dos EUA, Barack Obama, cumprimentou o chefe do governo espanhol pelos “grandes avanços” obtidos pela Espanha em matéria de estabilidade econômica, consolidação fiscal e retorno aos mercados financeiros. Mas o advertiu de que tem pela frente “grandes desafios”, principalmente o de reduzir o desemprego e aumentar o crescimento. Obama reconheceu que Rajoy chegou ao poder em “uma época extremamente difícil” e, por isso, elogiou os avanços conseguidos “graças à sua grande liderança”. Rajoy, por sua vez, garantiu que o objetivo de sua política econômica sempre foi o de resolver o problema do desemprego, mas primeiro teria de lidar com o saneamento do sistema financeiro e a consolidação fiscal. Além disso, ele saudou o fato de que no final de 2013 havia menos desempregados do que um ano antes, o que constitui o melhor dado dos últimos cinco anos. Obama considerou boas as medidas de ajuste fiscal aplicadas até agora pela UE, mas insistiu que “nesta etapa, o mais importante é estimular o crescimento e combater o desemprego”. Ele também se queixou de que alguns países com superávits, numa alusão à Alemanha, “poderiam fazer mais para incrementar a demanda”. O primeiro-ministro espanhol saiu visivelmente satisfeito da Casa Branca, onde recebeu um aval a suas reformas econômicas e um voto de confiança na estabilidade política da Espanha. O encontro foi o corolário de dois anos de empenho para marcar essa reunião; um objetivo para o qual, segundo fontes diplomáticas, não cooperou – e provavelmente fez o contrário – o ex-embaixador norte-americano em Madrid Alan Solomont, convencido de que Rajoy não sobreviveria à crise econômica e aos escândalos de corrupção. Obviamente se enganou, talvez porque não valorizou a força que uma maioria absoluta possui no sistema político espanhol. A delegação espanhola evitou tocar em assuntos espinhosos, como a espionagem massiva da Agência Nacional de Segurança (NSA), cujas revelações deixou ambos os governos em mãos dos serviços secretos; ou a falta de colaboração do Pentágono no processo aberto na Audiência Nacional pela morte do cinegrafista José Couso, durante a invasão do Iraque. A jornada do primeiro-ministro em Washington se iniciou com uma visita ao cemitério nacional de Arlington, um impressionante campo-santo de 252 hectares onde estão sepultados mais de 250.000 soldados mortos em combate e veteranos de todos os conflitos nos quais os EUA se envolveram: desde a Guerra de Secessão até as do Iraque e Afeganistão. Em uma manhã fria e com sol, Rajoy foi recebido com saudações militares por uma companhia de honra e depois de escutar os hinos de ambos os países, depositou uma coroa de flores no monumento ao soldado desconhecido. Um gesto de respeito protocolar que, no entanto, Zapatero não recebeu quando visitou Washington em outubro de 2009. Depois do encontro com Obama, Rajoy se reuniu com a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que na semana passada deu uma força ao Governo espanhol ao declarar que a Espanha e a Itália “quase voltaram à situação anterior à crise”. Os EUA são o principal parceiro comercial da Espanha fora da UE. As exportações de mercadorias espanholas alcançaram em 2012 a cifra recorde de pouco mais de 9,01 bilhões de euros, com um incremento de 14%, enquanto as importações somaram cerca de 9,7 bilhões, com redução de 7,5%, o que reflete a retomada do consumo norte-americano, perante o estancamento do espanhol. “Vamos exportar carros Ford aos EUA”, afirma o embaixador Gil-Casares, transbordando de otimismo. Além do mais, os EUA são o segundo investidor estrangeiro na Espanha, depois da Itália, com um estoque acumulado de 43 bilhões, enquanto que os EUA são o terceiro destino dos investimentos espanhóis, depois do Reino Unido e o Brasil, com 48 bilhões. Uma relação tão intensa não está isenta de problemas: investimentos norte-americanos levaram a Espanha a órgãos internacionais de arbitragem pelo corte retroativo de subsídios às energias renováveis. Outro litígio histórico, a falta de proteção à propriedade intelectual, parece pacificado, ao menos temporariamente, depois que o Departamento de Comércio deixou a Espanha fora da “lista 301” dos países que não atacam a pirataria. Desejoso de enfatizar o papel da Espanha na pujante Aliança do Pacífico, que agrupa as economias mais dinâmicas da América Latina (Chile, Peru, Colômbia e México), Rajoy deu de presente a Obama uma biografia de Vasco Núñez de Balboa, um fac-símile de um mapa múndi da época e da carta que ele dirigiu ao rei Fernando, o Católico, anunciando o descobrimento do Pacífico, há 500 anos. Lagarde: “Vai por bom caminho” Tanto Obama como Rajoy asseguraram que a cooperação entre Espanha e EUA em matéria de segurança e defesa “nunca foi tão forte”. O primeiro agradeceu que Espanha aceite acolher na base de Morón (Sevilha) uma força de 500 marines cuja principal missão é proteger as embaixadas norte-americanas no Magreb e Oriente Próximo; e o segundo comprometeu-se a trabalhar para aprofundá-las ainda mais. Rajoy transladou a Obama seu apoio entusiasta ao tratado de livre comércio que negocia a UE com Washington e pôs em valor a influência de Espanha em Iberoamérica, um continente onde a democracia, o respeito aos direitos humanos e o progresso “se abrem caminho”. Depois de sua cita na Casa Branca, Rajoy reuniu-se durante meia hora com a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Segundo fontes de Moncloa, Lagarde felicitou ao presidente espanhol por suas reformas estruturais, especialmente em matéria trabalhista e de pensões, cujos resultados/resultos “já se vêem”; e mostrou-se convencida de que a consolidação fiscal “vai por bom caminho”. Todo um capotazo da máxima responsável por um dos organismos que integram a troika que se encarregou de supervisionar o resgate à banca espanhola. Já pela tarde tinha previsto impor a Grande Cruz da Ordem de Isabel a Católica ao senador democrata Bob Menéndez, ex presidente do USA Spain Council e presidente da Comissão de Assuntos Exteriores do Senado, na residência do embaixador espanhol em Washington.
Fonte:el pais