sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Salário mínimo deveria ser quatro vezes maior para manter uma família brasileira


O valor da cesta básica aumentou em 2013 em todas as 18 capitais brasileiras avaliadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), sendo que em nove delas houve avanço superior a 10%. Tendo como referência os preços de dezembro, o Dieese calculou que o salário mínimo no país deveria ser quatro vezes maior que o então em vigor. Os dados são anunciados um dia antes do medidor oficial de inflação do governo nesta sexta-feira, e se unem a uma série de indicadores recentes pouco animadores, como o fluxo cambial negativo, o aumento do endividamento das famílias e a queda na venda de veículos. A cesta básica medida pelo Dieese é a única exclusivamente composta por alimentos a contar com uma abrangência considerada nacional, em um país com 27 unidades federativas. Para determinar o valor considerado ideal do salário mínimo, o instituto leva em consideração os gastos essenciais de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. “Houve um aumento expressivo de alimentos considerados básicos. Para as pessoas de baixa renda, os alimentos são o item que mais pesa no orçamento, em torno de 40%. Quanto mais baixa a renda, mais se gasta com alimentos”, avalia a economista e supervisora da área de preços do Dieese nacional Patrícia Lino Costa. O salário mínimo em dezembro era de 678 reais, e foi reajustado em 1o de janeiro para 724 reais. As maiores altas na cesta corresponderam a Salvador (16,74%), Natal (14,07%) e Campo Grande (12,38%). As menores, em Goiânia (4,37%) e Brasília (4,99%). Dos 13 alimentos básicos avaliados, os que mais subiram ao longo de 2013 foram leite, farinha de trigo, banana, pão francês e batata. O óleo de soja foi o único produto da cesta a apresentar queda de preço em todas as cidades. Nesta quinta-feira, dados oficiais confirmaram ainda que a safra de 2013 de cereais, leguminosas e oleaginosas foi recorde no Brasil. Foram registrados 188,2 milhões de toneladas, 16% a mais que em 2012. Como costuma acontecer, arroz, milho e soja representaram a enorme maioria da produção nacional de grãos. A área colhida no ano passado foi de 52,8 milhões de hectares, com alta de 8% ante 2012. “A gente tem uma safra recorde, mas algumas questões precisam ser avaliadas, porque o que a gente observa é um resultado diferente nas cestas”, acrescentou Costa. IPCA e conjuntura Os valores colhidos pelo Dieese preocupam também ao mostrar que alimentos básicos cresceram em 2013 em média acima da inflação geral, em meio à grande expectativa de divulgação do medidor oficial anual do governo nesta sexta-feira. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem no item alimentação e bebidas um de seus componentes principais. Economistas preveem um resultado entre 5,5% e 6%. O governo trabalha com 4,5% como o centro de sua meta, com tolerância até 6,5%. O maior temor envolve o setor de serviços, que pode frear o consumo ao longo de 2014. “Os serviços vão ficando tão caros, que as pessoas freiam o consumo. Nesse setor, ocorre um mecanismo de inflação que se autocontrola. Quando a inflação é alta, a economia desacelera por dois motivos: ou porque o Governo aumenta os juros ou as coisas ficam tão caras, que o poder aquisitivo é corroído e o consumo diminui”, avalia o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou, por sua vez, um crescimento de 7,5% do número médio de famílias endividadas em 2013. O percentual de endividados alcança a média anual de 62,5% do total das famílias brasileiras, segundo a entidade, o que pode dificultar ainda mais o consumo ao longo deste ano. Um sinal de queda no consumo vem também das vendas de veículos de passeio e comerciais leve em 2013. A Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave) registrou 3,57 milhões de unidades comercializadas no ano passado, ante 3,63 registrados no ano anterior. Foi a primeira queda desde 2003. Os últimos dados de produção industrial também apontaram queda, embora leve, de 0,2%. O economista Ayrton Fontes credita parte da diminuição na venda de automóveis a uma consequência do excesso de consumo que houve nos anos 2010, 2011 e 2012. “Essa queda nas vendas vai ser perpetuada agora neste ano”, afirma, em referência sobretudo ao fim da desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para o setor automotivo, o que encarece os veículos. Outro ponto de atenção é o impacto de alta que o câmbio pode ter na cesta de produtos avaliados para o cálculo da inflação. Nesta quinta-feira, a moeda norte-americana fechou em sua maior cotação desde meados do ano passado, no patamar de 2,39 reais. No dia anterior, o Banco Central já havia informado que a entrada e saída de moeda estrangeira do país teve déficit em 2013, o pior resultado desde 2002. “A aceleração do câmbio no último trimestre tornou o risco inflacionário uma preocupação de novo para o BC, que deve continuar subindo os juros”, acrescenta Padovani. O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, afirma, por sua vez, que o mercado ainda está muito cético quanto a uma queda da inflação. “Se de um lado gera desconforto por conta das interações existentes entre o câmbio e o nível de preços num país que vive a surrealista situação de 11 diferentes índices de inflação todo o mês (…), por outro não vemos como negativo este movimento. Afinal um câmbio mais fraco pode ajudar, entre outras coisas, a evitar a sangria nas contas externas”, avalia.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Obama se aproxima de decisão sobre reforma em setor de inteligência


Por Steve Holland WASHINGTON, 9 Jan (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, consultou na quarta-feira autoridades do setor de inteligência sobre formas de limitar as práticas de vigilância dos EUA, à medida que se aproxima de concluir uma revisão que levará a mudanças na forma de proceder com dados de telefonemas e também a restrições na espionagem de líderes estrangeiros. Obama, que pode anunciar as reformas no setor de inteligência na próxima semana, tem agido em busca de restaurar a confiança dos norte-americanos nos serviços de inteligência do país, após os danos causados pelas revelações do ex-prestador de uma agência de espionagem Edward Snowden sobre a dimensão das práticas de vigilância do governo. O presidente conversou sobre o andamento do processo de revisão em reunião com o diretor de Inteligência dos EUA, James Clapper, o diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA), Keith Alexander, o secretário de Justiça, Eric Holder, e o vice-presidente, Joe Biden. "Essa foi uma chance importante para o presidente ouvir diretamente de sua equipe, quando ele começa a tomar decisões finais sobre como nós vamos seguir em frente com os programas-chave de inteligência", disse Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Obama também reuniu-se com integrantes do Conselho de Supervisão da Privacidade e das Liberdade Civis, um grupo bipartidário independente que faz uma revisão das práticas de vigilância dos EUA, incluindo a coleta de dados de telefonemas. Obama deve encontrar diversos parlamentares norte-americanos nesta quinta-feira para voltar a tratar sobre a revisão da inteligência. As reformas devem incluir algumas restrições à espionagem de líderes estrangeiros, uma questão surgida no ano passado após denúncias de que a NSA teria espionado as comunicações pessoais da presidente Dilma Rousseff e da chanceler alemã, Angela Merkel. As informações sobre a capacidade de o governo de monitorar o tráfego de telefonemas e emails de norte-americanos e estrangeiros estão entre as principais revelações feitas por Snowden, que atualmente vive em asilo temporário na Rússia. Ele é procurado pelos EUA para enfrentar acusações de espionagem.

O assassinato de uma ex-miss altera a pauta política da Venezuela


Não só foi pelo nome das vítimas – Mónica Spear, miss Venezuela 2004 e conhecida atriz de novelas, seu ex-marido, o irlandês Thomas Henry Berry, e a filhinha deles, de cinco anos –, mas também pela maneira como o fato aconteceu: na noite do Dia de Reis, depois de o carro deles passar por um buraco na rodovia que liga Puerto Cabello a Valencia, na zona costeira central do país, dois pneus do carro estouraram. Logo depois, um guincho os socorreu. Enquanto erguiam o veículo para trocar os pneus e seguir viagem, dois bandidos apareceram, aparentemente para roubá-los. Os primeiros dados colhidos pela polícia científica indicam que Spear e sua família se fecharam no veículo, que foi baleado. Segundo a empresária da atriz, ela morreu vítima de um disparo, e seu ex-marido levou três tiros. Ambos morreram. A menina sobreviveu ao ataque com um ferimento na perna. A ampla divulgação dada à fatídica notícia na manhã desta terça-feira provocou um abalo poucas vezes visto no país. As redes sociais explodiram em indignação e tristeza, fazendo da hashtag #MonicaSpear em uma tendência nacional. O Governo precisou então modificar sua pauta do dia.
Ao meio-dia, a emissora estatal Venezuelana de Televisão, que há vários anos erradicou da sua programação qualquer alusão à desenfreada insegurança neste país – a qual no ano passado custou a vida de 24.763 pessoas, segundo estimativas da ONG Observatório Venezuelano da Violência (OVV) –, mostrou o presidente Nicolás Maduro reunido com um grupo de artistas chavistas ligados ao coletivo Movimento de Artistas pela Vida e a Paz. Um deles, Manuel Sosa, foi o primeiro par romântico nas telas da atriz assassinada. A habitual voz tonitruante do presidente se transformou em um sussurro para narrar detalhes do caso aos presentes, revelando também o enlutado estado de espírito nacional. Spear desfila na final do Miss Universo 2005, em Bancoque. / RUNGROJ YONGRIT (AFP) Na saída dessa reunião, o porta-voz do coletivo, o ator Roberto Messuti, pediu que não se politize um fato trágico. “Não o transformem em um circo político, porque são claramente palpáveis os esforços do Executivo em matéria de segurança”, acrescentou o diretor da polícia científica, José Gregorio Sierralta, ao divulgar os primeiros detalhes do duplo homicídio. Ambos os comentários revelaram a principal crítica feita pelo chavismo no decorrer do dia. Não obstante, todas as declarações dos porta-vozes governistas pareceram ser insuficientes para conter a crise comunicacional desatada. Com genuína dor, as figuras públicas contrárias ao governo não pouparam críticas aos frustrados planos de segurança e salientaram o fracasso do chavismo no combate à criminalidade nos últimos 15 anos. Sobre Spear, ressaltavam não só o trágico destino de sua filha órfã, mas também sua imensa espiritualidade e um apego à sua terra, que muitos vinham pondo em dúvida nos últimos tempos. A morte também ocorre num momento em que o governo tenta resgatar o turismo interno, mediante um slogan que promove a Venezuela como um destino “chévere” (“legal”, na gíria local), ao mesmo tempo em que quase tacha de traidores da pátria os líderes políticos oposicionistas que viajaram de férias para o exterior durante as recentes festas de fim de ano. O coletivo artístico também recriminou o principal responsável pela campanha, o ministro dessa pasta, Andrés Izarra, que minimizou o impacto da insegurança no turismo nacional e estrangeiro. Em 2010, por exemplo, ele zombou das cifras da OVV durante em uma entrevista à rede CNN. Em 2013, a ONG calculou que 79 a cada 100.000 venezuelanos foram assassinados ao longo do ano. O ministro do Interior e Justiça, Miguel Rodríguez Torre, refutou essas informações e assegurou que em 2013 houve uma redução de 17% nos homicídios e 51% nos sequestros, com uma taxa de 39 pessoas mortas violentamente a cada 100.000 habitantes. Os venezuelanos, entretanto, parecem pouco se importar com a diferença entre os cálculos e, de forma mais geral, com qualquer menção às explicações oferecidas por porta-vozes governistas, que buscam “nos antivalores gerados pelo capitalismo” a explicação para a violência generalizada no país. Há muita dor e indignação. Maduro pareceu acusar esse sentimento, porque, na metade da tarde da terça-feira, enquanto esperava a chegada de seu homólogo Evo Morales no aeroporto de Maiquetía, decidiu conceder uma segunda declaração aos meios de comunicação estatais, desta vez em tom mais firme do que na primeira fala. O presidente iniciou sua intervenção revelando que havia conversado com os investigadores da polícia científica na tentativa de encontrar uma explicação para “sanha criminal” com a que a família de Mónica Spear foi crivada de balas. Depois, disse que ajustará os planos de segurança pública e que se reunirá nesta quarta-feira com todos os governadores do país e com os prefeitos de 79 municípios onde a criminalidade é mais crítica. A advertência mais forte ele reservou para o final: “Embora eu tenha estendido a mão aos jovens que estão na antivida, também irei a fundo contra os que quiserem matar homens e mulheres de bem. Falo aos criminosos: que explicação têm para matar? Digo isso com indignação e dor. Eu assumo minha responsabilidade. Quem quiser vir para matar vai encontrar uma mão de ferro. Que ninguém se engane”. A oposição política tampouco foi indiferente ao duplo homicídio. O líder Henrique Capriles e outros ocupantes de cargos relevantes, como o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, expressaram suas condolências. Capriles foi inclusive bem além e escreveu em sua conta do Twitter, durante a manhã, antes do anúncio de Maduro: “Nicolás, eu lhe proponho deixarmos de lado nossas profundas diferenças e nos unirmos contra a insegurança em um só bloco”. Até agora não está confirmado o horário da reunião, mas tudo indica ser mais do que provável um encontro cara a cara entre os principais rivais da política local. Entretanto, Capriles esclareceu ao El País que não recebeu informações sobre essa reunião. “Agora, a respeito do tema da insegurança dos venezuelanos, sempre estarei disposto a falar e trabalhar com quem for. Para mim, é um tema sagrado.” Spear, nascida em Maracaibo, no Estado de Zulia, em 1984, teve uma passagem curta, mas fulgurante, pela televisão venezuelana. Protagonizou novelas no seu país – Mi Prima Ciela e La Mujer Perfecta – antes de se radicar nos Estados Unidos, em 2011, onde era contratada pelo canal Telemundo. Era apenas uma etapa em sua vida. Tímida, um tanto desorientada, sempre optou por retornar à Venezuela, apesar das ofertas que, segundo seus colegas, tinha em Los Angeles. Para seus admiradores, talvez o que mais doa seja a morte cruel que coube a alguém com temperamento tão otimista.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Uma filha do rei da Espanha acusada por crime fiscal


O juiz José Castro decidiu acusar a Infanta Cristina de Bourbon pelos crimes de suposta lavagem de dinheiro na gestão e administração de fundos suspeitos gerados pelos negócios sujos de seu marido Iñaki Urdangarin e contra o Tesouro público. Em um auto de 227 folhas, o magistrado convoca a filha do rei a depor no próximo dia 8 de março às 10h da manhã em Palma de Mallorca, no marco do processo por suposta corrupção do caso Urdangarin, também chamado de caso Nóos. Nesta causa, o genro do rei Juan Carlos, Iñaki Urdangarin, e seu ex-sócio Diego Torres são investigados por desvio de fundos públicos. Ambos estão sob suspeita judicial depois de embolsarem 5,8 milhões de euros através do Instituto Nóos – sem fins lucrativos – em sua relação com os governos da Comunidad Valenciana e das ilhas Baleares, ambos do Partido Popular. O promotor anticorrupção Pedro Horrach, que não vê elementos para envolver a Infanta, pedirá mais de 12 anos de prisão para o marido dela pelos supostos crimes cometidos, entre eles os crimes fiscais. O juiz Castro esteve nove meses dedicado de maneira quase que exclusiva na reconstrução do retrato da vida financeira e tributária de Cristina de Bourbon, rastreou suas contas, cartões, faturas e gastos, as propriedades e declarações de imposto de renda. No processo, há uma biografia completa da atividade econômica particular dela entre 2002 e 2012. Em um auto de 227 folhas, o juiz sustenta que existem indícios penais suficientes para contrastar com a protagonista a versão sobre os fatos e sua suposta responsabilidade criminal. A convocação da também duquesa de Palma – que não tem um foro especial diante dos tribunais – foi feita pelo juiz apesar da oposição aberta da Promotoria Anticorrupção, a Advocacia do Estado e o advogado de Urdangarin e seu próprio defensor. O Ministério Público e os advogados dispensam a filha do rei e defendem que ela não participava das atividades da empresa do marido e ignorava todos os detalhes financeiros. Apenas o sindicato Mãos Limpas reivindica a participação penal da filha do rei no caso. José Castro argumentou a necessidade de investigar e tomar o depoimento de Cristina de Bourbon a partir de duas reflexões: “evitar que a incógnita [sobre o papel da infanta] se perpetue” e não contradizer a máxima que estabelece que a “justiça é igual para todos”. Se o Tribunal de Palma não bloquear a imputação e desautorizar o juiz – como já ocorreu numa primeira decisão em abril de 2013 no mesmo sentido – a Infanta Cristina deverá comparecer ao tribunal para ser interrogada em relação à gestão dos fundos de origem ilícita, provenientes dos supostos negócios ilegais do genro do rei, Iñaki Urdangarin, no Instituto Nóos. Também está sob as lupas do juiz a riqueza econômica gerada na sociedade patrimonial Aizoon, propriedade do casal Urdangarin-Bourbon. O juiz, sobre a base de reiterados relatórios e análises que encomendou à Agência Tributária e à Polícia de Crime Econômico, fundamentou a estrutura de sua decisão com cifras e declarações. Castro tinha duas saídas depois de esgotar suas investigações sem interrogar a investigada: envolver a filha do rei e convocá-la a depor; ou, do contrário, arquivar definitivamente a parte do processo aberta contra ela devido à inexistência de elementos para articular uma decisão. O magistrado, por indicação do Tribunal, traçou “uma linha de investigação com tendência a declarar ou descartar a possível comissão” do crime pela gestão de bens de origem ilegal conseguidos por Urdangarin e a sociedade comum Aizoon. A Infanta e seu marido gastaram cerca de seis milhões de euros na compra de seu palacete de Pedralbes e mais de três milhões em obras e decoração. Todas as faturas e itens da reforma foram analisados pelo juiz. A oposição do promotor O promotor anticorrupção Pedro Horrach, que há três anos começou o caso Urdangarin com o juiz José Castro, não concorda com o critério do magistrado sobre a Infanta ao sustentar que “não há a existência de indícios incriminatórios dos quais poderiam derivar a imputação”. Além disso, Horrach indica que “não se pode imputar nem castigar ninguém pelo o que é, senão pelo o que fez” e insiste que “por sua suposta participação dos fatos criminosos e não por sua condição”. Por sua vez, o promotor geral do Estado, Eduardo Torres-Dulce, que pelo menos em meia dúzia de vezes explicou nos últimos meses que não há indícios para envolver a Infanta, rejeita um tratamento especial à filha do rei por parte do Ministério Público. “Não há nenhum tratamento privilegiado. Seria um tratamento de desfavor fazer o contrário do que alguém pensa justificadamente em Direito”, garantiu. O chefe da Casa do Rei, Rafel Spottorno, disse em entrevista concedida à TVE há alguns dias que os três anos de instrução do caso Urdangarin foram “um martírio” devido à enxurrada de notícias. Semanas antes, o juiz Castro havia repreendido duas instâncias governamentais, a Agência Tributária e a Polícia, pela “grande demora” em emitir seus últimos relatórios encomendados sobre a Infanta e a Aizoon, o que motivava um atraso desnecessário na conclusão da investigação judicial. Castro argumentou a necessidade de interrogar a filha do rei e refletiu que seria “uma clara contradição à prática cotidiana dos tribunais, que em casos semelhantes é muito escassamente provável que prescindissem deste trâmite”, o de não chamar a depor. Ou seja, acusá-la para interrogá-la acabaria com qualquer “sombra de suspeita” de favoritismo sobre ela. Ele já havia se manifestado desta forma em abril de 2013 em sua primeira decisão sobre a Infanta. Embargo do palacete de Pedralbes Em novembro, o juiz embargou a mansão de 1.000 metros quadrados em Barcelona, cuja propriedade é compartilhada em 50% cada entre a Infanta e seu marido. A casa foi posta à venda por 10 milhões de euros depois que a família foi para a Suíça. O juiz Castro bloqueou o palacete e outros 15 bens porque o genro do rei e seu ex-sócio, Diego Torres, não pagaram a fiança de responsabilidade civil, solidariamente para ambos, de 6,1 milhões. O Tribunal reduziu a fiança inicial para não incidir duas vezes o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) , pois Urdangarin alertou à Corte que no caso de um duplo pagamento tributário ele sofreria um “empobrecimento injusto”. Segundo o Tribunal de Palma, a Aizoon era usada de fachada para lavar os fundos ilícitos ou evitar o pagamento de impostos. A Aizoon tinha sua sede no palacete, e os duques tramaram e declararam um aluguel fictício – a si mesmos – que o Tesouro rejeitou como dedução de despesas. A política examinou também as contas da reforma da mansão para saber quem e quais empresas operaram e de que maneira faturaram os trabalhos de “reabilitação, fornecimento e manutenção” da casa em Barcelona. Aizoon, a sociedade-fachada sem estrutura A Aizoon era a sociedade na qual o marido da Infanta Cristina colocava centenas de milhares de euros por ano – até mais de um milhão – procedentes de seus contratos com administrações públicas através do Instituto Nóos e as empresas privadas. Um relatório da Agência Tributária sinaliza que em quatro anos de atividade do Nóos (2004-2008), dos quase 10 milhões de euros conseguidos, pelo menos 6,4 milhões acabaram nas arcas de empresas privadas de propriedade de Urdangarin, de Torres ou de ambos. O Tesouro conclui que o conglomerado de empresas privadas de Urdangarin e Torres cruzava faturas “sob conceitos extremamente genéricos ou imprecisos”, por “valores redondos” e com múltiplas duplicidades em relação a fornecedores externos, assim como incongruências, inexistência dos serviços supostamente prestados e “no extremo” de falsificação material da fatura. A tese de defesa do promotor é de que a Infanta não dirigia a Aizoon, apesar de ser acionista e administradora formal, participar de seu conselho e assinar atas. Entre 2004 e 2006, a Aizoon, empresa de Urdangarin e a Infanta, emitiu faturas a outras empresas do grupo por prestação de serviços, apesar de que naquela época carecia de “estrutura empresarial”. “O resto de entidades [do conglomerado de Urdangarin e Torres] tornam-se meros instrumentos para drenar e distribuir os recursos obtidos através do Nóos entre seus dois proprietários e líderes”. Fora da agenda de eventos da Família Real O genro do rei e a filha menor do monarca, a Infanta Cristina, estão fora da agenda de atividades oficiais da Família Real. Com o envolvimento de Urdangarin no caso, sua atuação foi rotulada como pouco “exemplar” pelo Palácio La Zarzuela e ele ficou fora das atividades protocolares. O ex-jogador de handebol do Barça e da seleção espanhola foi chamado a depor como acusado diante do juiz. Ele está acusado e com fiança de responsabilidade civil de 6,1 milhões de euros. Sua mulher também está afastada da agenda de atos da Casa Real, antes mesmo de se ver relacionada com as investigações do escândalo que seu marido começou a protagonizar com seu ex-sócio Diego Torres.
Fonte:El Pais

Mulher de Schumacher pede que mídia deixe família em paz


Por Erik Kirschbaum
BERLIM, 7 Jan (Reuters) - A mulher de Michael Schumacher fez um apelo à mídia para que se retire do hospital na França onde jornalistas estão de plantão desde o grave acidente de esqui sofrido pelo ex-piloto alemão há nove dias e que deixe os médicos trabalharem.
Corinna Schumacher também pediu à mídia para deixar a família dela em paz, após reportagens na imprensa alemã na segunda-feira afirmando que houve leve melhora no estado de saúde do heptacampeão mundial de F1, horas depois de o hospital em Grenoble ter divulgado boletim médico dizendo que Schumacher continuava em estado estável mas grave.
"Por favor nos apoiem em nosso esforço junto com Michael", disse Corinna em comunicado. "É importante para mim que vocês deixem os médicos e o hospital para que eles possam trabalhar em paz. Por favor confiem nos comunicados e deixem o hospital. Por favor, também deixem nossa família em paz."
Essas foram as primeiras declarações públicas de Corinna desde 30 de dezembro, quando divulgou um outro comunicado em que agradeceu à equipe médica pelo esforço e expressou gratidão aos fãs do mundo todo pelo apoio.
Schumacher sofreu lesões no cérebro ao bater a cabeça em uma rocha enquanto esquiava na França em 27 de dezembro. Ele está em coma induzido desde então e foi submetido a duas cirurgias em Grenoble.
O hospital e assessores de Schumacher já pediram repetidas vezes à mídia para respeitar a privacidade dele.
A equipe médica tem realizado entrevistas coletivas e divulgado boletins médicos periodicamente sobre o estado de saúde do ex-piloto. Na segunda-feira, o hospital disse que "o estado de saúde de Michael Schumacher é estável à medida que ele está sob tratamento e cuidado intensivos. Entretanto, a equipe médica responsável reforça que continua a considerar a situação dele como grave."

O jornal alemão Bild, o mais vendido da Alemanha, disse nesta terça-feira sob a manchete "Primeiras esperanças para Schumi" que o ex-piloto quase morreu duas vezes na semana passada. Segundo o jornal, os médicos agora estão mais otimistas que ele vai sobreviver.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Ofensiva global contra o avanço da Al Qaeda


Passaram-se só dois anos desde a retirada norte-americana do Iraque e o governo desse país luta agora para manter o controle da província de maioria sunita de Al Anbar, onde a insurgência disputa o controle das duas maiores cidades, Fallujah e Ramadi. O conflito volta muito próximo de Bagdá, a capital, onde uma onda de ataques com explosivos causou 19 mortes ontem. Tais são os avanços dos rebeldes no Iraque que, de forma separada, os Estados Unidos e o Irã se apressaram a oferecer apoio ao governo de Nuri al-Maliki, que pertence à maioria xiita do país. A Al Qaeda e outros grupos sunitas afins estabeleceram um eixo que se expande a oeste até a costa mediterrânea, com ataques nos redutos no Líbano da milícia xiita Hezbollah e com uma crescente presença no conflito sírio, no qual lutam até 7.000 jihadistas estrangeiros. A força aérea iraquiana lançou uma ofensiva sobre Ramadi que provocou a morte de pelo menos 25 islamistas sunitas. O exército prepara também uma grande operação sobre Fallujah. Ambas as localidades estão separadas por cerca de 40 quilômetros de estrada. A Al Qaeda tomou amplas partes dessa região desde a quinta-feira passada, quando teve início uma operação coordenada com franco-atiradores, granadas e explosivos, tomando edifícios públicos e mesquitas e libertando detidos de várias prisões. Alguns líderes tribais sunitas se uniram aos jihadistas, enquanto outros se alinharam com o governo e tomam parte na contraofensiva do exército. Em um discurso no sábado em Bagdá, Maliki disse que a ofensiva “durará até que Al Anbar fique livre dos combatentes armados”. A Al Qaeda pôde tomar com relativa facilidade parte de Al Anbar pela insatisfação criada em sua população por uma campanha contra líderes sunitas movida pelo presidente xiita Maliki. Também jogou a seu favor o vazio deixado pelos EUA, que investiram bilhões de dólares em treinamento e armas ao exército iraquiano, mas que por desacordos com o governo saiu sem deixar para trás uma presença militar. Em Al Anbar nasceu um grupo ligado à Al Qaeda que se faz chamar Estado Islâmico de Iraque e Síria, ponto de atração para jihadistas de todo o mundo e responsável por ataques em ambos os países. Segundo as Nações Unidas, em 2013 no Iraque morreram 8.000 civis, o maior número desde 2008. Na Síria, o Estado Islâmico luta não só contra o regime de Bashar al-Assad, como também contra os rebeldes moderados. Nos últimos dias houve grandes confrontos entre ambas as facções opositoras nas regiões do norte do país e, segundo grupos observadores, os jihadistas aniquilaram desde sexta-feira pelo menos trinta milicianos que combatiam também Assad. No complexo mosaico das milícias opositoras sírias, o Estado Islâmico aceitou ontem em se retirar de vários postos fronteiriços com a Turquia para cedê-los a outros grupos islamitas. Depois de 4.486 soldados mortos em quase nove anos de guerra no Iraque, os EUA brindaram novo apoio ao governo de Maliki. “Vamos fazer todo o possível para ajudá-los”, disse em Jerusalém o secretário de Estado norte-americano, John Kerry. “Obviamente não contemplamos a opção de voltar a ter soldados sobre o terreno. Essa é sua guerra”. Se a Al Qaeda conseguiu incendiar a região isso se deve também à nova partilha de forças e influências nascida da retirada norte-americana. O Irã tratou de consolidar um eixo xiita apoiando ao regime sírio e o Hezbollah, e considera o Iraque vital nesses planos. Ontem, o general Mohamed Hejazi, subchefe do estado maior das forças armadas iranianas, brindou assistência militar e assessoramento ao governo do Iraque, alinhando-se indiretamente aos EUA. É uma situação nova e inexplorada, na qual a monarquia sunita da Arábia Saudita fica com seus passos também mudados. Apoiou com fundos e armas grupos opositores sírios, mas viu como o terreno que estes ganhavam ficou ocupado com celeridade pela Al Qaeda, que também tem experiência em combate em seu país.

Candidatos e eleitores devem ficar atentos às regras da Justiça Eleitoral

Mariana Jungmann Repórter da Agência Brasil 

Brasília - O ano eleitoral começou e, com ele, um calendário voltado para o pleito que ocorrerá em outubro deve começar a ser observado por candidatos e eleitores. Desde o dia 1º, por exemplo, diversas regras da Justiça Eleitoral já estão valendo, fixando prazos e proibições para quem for disputar as próximas eleições. É o caso, por exemplo, da obrigatoriedade de registro das pesquisas eleitorais a partir deste mês.
No caso de pesquisas sobre a eleição presidencial, elas devem ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já os demais levantamentos devem ser registrados nos tribunais regionais eleitorais. Isso deve ser feito exclusivamente por meio eletrônico do Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle). Desde o dia 1º a Administração Pública está proibida de distribuir bens, valores ou benefícios gratuitamente, exceto em casos de calamidade pública, situações de emergência ou programas sociais cuja execução orçamentária já esteja prevista. Esses programas, inclusive, não podem ser executados por entidades nominalmente ligadas a candidatos, mesmo que já estejam em andamento. Já as doações aos partidos políticos devem ser feitas em contas bancárias específicas. A medida passou a valer desde o dia 2. Os tesoureiros das agremiações partidárias devem solicitar a abertura desse tipo de conta no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e passar a utilizar apenas ela para arrecadar os recursos da campanha. Eles também precisam emitir o recibo eleitoral para cada doação recebida pelo partido. O objetivo é evitar fraudes e facilitar a fiscalização da Justiça Eleitoral sobre as contas de campanhas dos partidos. Os aumentos concedidos a servidores públicos ficam restritos à recuperação do poder aquisitivo deles a partir do dia 8 de abril. Aos agentes públicos fica vedada a possibilidade de rever a remuneração desses servidores para além das perdas inflacionárias no ano eleitoral a partir dessa data. As contratações e demissões injustificadas dos servidores também ficam vedadas a partir de 5 julho, exceto em casos de cargos em comissão e funções de confiança, no caso de demissões, e de nomeação de pessoas aprovadas em concursos já homologados até a data prevista. Essa também é a data limite para que os agentes públicos que participarão do pleito apareçam em propagandas que deem publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais e estaduais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral. A presidenta Dilma Rousseff, os ministros e chefes de Poderes também ficam proibidos de fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão a partir de 5 de julho. Esse tipo de pronunciamento só poderá ser feito em casos de urgência e extrema relevância, que serão definidos pela Justiça Eleitoral. Os eleitores também têm obrigações a cumprir. Os do Distrito Federal, têm até o dia 31 de março para fazer o recadastramento biométrico, no qual fornecem as impressões digitais à Justiça Eleitoral e atualizam seus dados cadastrais, recebendo um novo título de eleitor ao fim do processo. Até o momento, cerca de 70% dos eleitores do DF já cumpriram com a obrigação. Os que perderem o prazo estarão em débito com a Justiça Eleitoral e impedidos de assumir cargos públicos e tirar passaporte, além de sujeitos a pagamento de multa. O descumprimento das demais regras pode levar os candidatos a sofrerem diversas punições, que vão desde o pagamento de multa até a cassação do registro eleitoral, ou do diploma, caso ele já tenham sido eleitos.